Bebida Alcoólica e Cigarro – Visibilidade Zero

Cigarro

O cigarro

Até o final do século XIX, fumar cigarro era raridade. Em 1880, o norte-americano James A. Bonsack inventou uma máquina capaz de enrolar 200 cigarros por minuto, o que criou condições para o aparecimento da indústria. Então veio a distribuição de cigarros aos soldados nas trincheiras, durante a Primeira Guerra, e seu uso, que se achava restrito às camadas marginais das sociedades norte-americana e europeia, disseminou-se. Em 1900, o consumo anual norte-americano era de cerca de 2 bilhões de cigarros, em 1930, chegou a 200 bilhões!

Uma das principais razões para esse “sucesso do cigarro”, uma das duas drogas legalizadas, e para o tabagismo ser atualmente uma das mais importantes doenças no mundo deve-se ao fato de existirem grupos poderosos interessados em produzir e em vender tabaco. E, para isso, contam com o prestimoso auxílio de excelentes publicitários, sempre, e cada vez mais, criativos. Para o mal, claro. Como no caso da bebida alcoólica, conseguiram convencer uma grande parcela da humanidade de que fumar é uma coisa normal e os governos, para não se incomodarem, não se meter com esse pessoal, arrecadar impostos ou porque grande parte dos políticos fumam, mantêm a legalização dessa droga. E como no caso da bebida alcoólica, conseguiram viciar várias gerações, no caso do cigarro, numa estratégia conjunta com a indústria cinematográfica norte-americana.

No século XX, com o surgimento do cinema como meio de comu-nicação de massas, os estúdios tornaram-se alvo das campanhas de marketing da indústria tabagista e criaram então a “glamourização do tabaco”. Muitos galãs de Hollywood, a peso de ouro, venderam sua Alma enviando uma imagem parecida com a que ainda hoje é utilizada: eram belos, heróicos e fumavam! Alguém consegue imaginar o mito Humphrey Bogart sem o seu companheiro de solidão, o cigarro? Ao longo do clássico Casablanca, ele raramente é visto sem um cigarro. A indústria tabagista utilizou o cigarro como um “acessório” de imagem bem-sucedida e criou em seus anúncios um estilo de vida que reflete o sucesso, a beleza e o poder, o que persiste ainda hoje, e faz parte desta maligna indústria da morte. Hoje em dia, em cada país, a publicidade adapta-se ao que pode convencer as pessoas de que fumar traz benefícios e vantagens pessoais, sexuais e profissionais, no Brasil são o futebol e as corridas de automóvel.

Os estúdios de cinema e os galãs de Hollywood das décadas de 30 e 40, como Cary Grant, Gary Cooper, John Wayne e Clark Gable, recebiam dinheiro dos fabricantes de cigarro para promover o produto. John Wayne, Gary Cooper e Humphrey Bogart morreram de câncer. De lá para cá, fumar tornou-se símbolo de ser um “galã” (conquistador) e todos os homens queriam fumar e as mulheres queriam homens que fumassem para que fossem parecidos com os galãs do cinema norte-americano (até hoje, menos evidente, mais disfarçado, vemos nos cantinhos das telas, num relance, propagandas de cigarro e de bebida alcoólica).

Depois que a indústria cinematográfica viciou os homens, a estratégia da indústria tabagista foi de viciar as mulheres e começar a comprar as atrizes norte-americanas, que começaram então a fumar nos seus filmes e, com isso, conseguiram viciar também as mulheres, que queriam ser parecidas com elas, pois os homens queriam que elas fossem “sexy” como as atrizes, e essas fumavam (qualquer semelhança até hoje em vender coisas que as atrizes usam não é mera coincidência…).

A indústria tabagista conseguiu viciar os homens e as mulheres, como ainda faz hoje, mas, atualmente, faz isso de uma maneira ainda mais cruel, visando principalmente aos adolescentes, com estratégias tipo “Eu faço o que quero!”, “Ninguém manda em mim!”, com mensagens de masculinidade, de feminilidade, de rebeldia, associando o ato de fumar ao sucesso e à liberdade, quando na verdade os nossos jovens deveriam é revoltar-se contra esse tipo de sacanagem e libertarem-se dessa infantilidade e caretice de segurar um símbolo fálico e levarem-no à boca, a não ser quem precise disso, mas aí é com o Freud.

A indústria do cigarro é a responsável pelas propagandas mais malignas e cruéis jamais elaboradas, influenciando diretamente no nosso comportamento. É uma triste mancha para a humanidade, ser dominada por uma indústria que vende um produto que vicia e que mata lentamente os seus consumidores. Mas isso, como no caso dos fabricantes da bebida alcoólica, não causa nenhum problema de consciência nos produtores de fumo, nos distribuidores, nos divulgadores, nos promotores e nas pessoas que vendem a droga, pois, como no negócio da bebida alcoólica, o que importa é ganhar dinheiro, com as mais diversas desculpas e mecanismos psicológicos de negação para poder conciliar fazer essa maldade com milhões de pessoas e conseguir ser pai/mãe de família, ser frequentador de alguma religião, considerar-se uma pessoa de bem.

Nos anos 80, a propaganda de cigarros já sofria restrições na Europa e em países de outros continentes, sendo obrigatório que o produto trouxesse em sua embalagem um selo de alerta de que aquele produto causava danos irreversíveis à saúde (como é atualmente obrigatório no Brasil), mas como, naquela época, ainda não existia esta imposição aqui, os fabricantes dessa droga sabiam dos danos e os governos também, mas o cigarro continuava a ser comercializado livremente, sem advertências, e promovido por campanhas publicitárias que fascinavam uma geração, que, embriagada pelo marketing, sonhava com a virilidade selvagem do cowboy da Marlboro ou com os (as) modelos elegantes e bem-sucedidos (as) das campanhas alienizantes. Os fabricantes de cigarro fazerem isso, até aceita-se, afinal não tem nenhuma consciência humanitária e produzir e vender esse veneno é o seu negócio, mas e os nossos governantes, permitir isso?

Vejamos algumas das estratégias que vêm sendo utilizadas para nos enganar. A Marlboro criou, em 1954, o Marlboro Man, personagem que fez parte das suas campanhas publicitárias até 1999. O personagem foi criado por John Landry, da agência Leo Burnett, como parte de uma campanha (Delivers the Goods on Flavor) de redirecionamento da marca, que na época era direcionada para o público feminino. O brilhantismo da campanha foi tanto que o cigarro Marlboro se tornou um ícone do mundo masculino. Os anúncios destacavam o homem em situações de impetuosa virilidade, explícita ou velada, domando cavalos belíssimos, atingindo o clímax e a volúpia final com a frase: “Terra de Marlboro, onde os homens se reúnem!”, criando no mundo masculino a insinuação de que o homem que fumasse o cigarro seria macho e viril! Claro que os anúncios não mostravam as estatísticas médicas de que fumar pode provocar impotência sexual e câncer de próstata, além de outras centenas de doenças graves, mas isso deve ter sido um esquecimento dos publicitários ou os fabricantes da droga não lhes informaram esses pequenos detalhes.

Dois dos modelos que representaram a figura apoteótica do cowboy da Marlboro, Wayne McLaren e David McLean, morreram de câncer devido ao uso contínuo do cigarro. Wayne McLaren no leito de morte, em 1992, aos 49 anos, pronunciou as suas últimas palavras: “Eu sou a prova morta de que o cigarro vai matar vocês!”. As imagens do ex-cowboy agonizando foram vinculadas nas campanhas internacionais antitabagistas e em nada lembravam a virilidade do homem sobre o seu cavalo indomável.

No Brasil, a presença das marcas de cigarros na mídia criaram termos e expressões populares, como “A Lei de Gerson”, termo criado para designar a malandragem em contraponto ao trabalho honesto e dedicado. Poucas pessoas lembram que essa expressão surgiu com o comercial do cigarro Vila Rica, onde um famoso jogador de então, em troca de muito dinheiro, ao acender e tragar um cigarro dessa marca, soltava o famoso bordão: “Gosto de levar vantagem em tudo, certo?”. A indústria de bebida alcoólica ainda utiliza essa imagem de “levar vantagem” em seus comerciais daquela droga, insinuando que quem bebe é malandro, ganha as mulheres, faz sucesso…

Outros bordões de cigarros tornaram-se ícones do cenário nacional da propaganda, como o da campanha dos cigarros LS, nos anos 70, feita por um rapaz muito bonito, que era modelo: “O fino que satisfaz”. Aliás, os publicitários que ajudam a vender essa droga gostam muito de utilizar jovens bonitos nas propagandas, de preferência famosos e vencedores, levando os demais a invejá-los e quererem ser como eles. Muitas pessoas na época acreditavam que essa alusão ao “fino” era uma insinuação em relação a um baseado (cigarro de maconha), que na época da contracultura começava a adentrar na cultura jovem, rebelde e “livre”. De algumas pessoas da publicidade que vendem a sua Alma por dinheiro pode-se esperar tudo…

E as propagandas de “cigarro para mulheres” daquela época, quando elas já tinham sido viciadas? Eram comerciais mais sensíveis, de forte apelo emotivo do universo feminino, como os do Charm: “O importante é ter charme” e os do cigarro Ella: “Ela sou eu!”. O “charme” começou, lembram, com o cinema norte-americano aliado às companhias fabricantes de cigarro vendendo essa imagem de que fumar é “elegante”, é “sexy”, é um sinal de “liberdade”, e isso continua até hoje.

Mais que uma influência, os anúncios da marca Hollywood ditaram um estilo de vida que atingiu a juventude dos anos 80. Durante vários anos, as propagandas desta marca de cigarro foram todas voltadas para o esporte radical. Trazia clipes que se tornaram cult de toda uma geração que viveu intensamente os anos 80. Os adolescentes de então sonhavam em ser como os homens das propagandas dos cigarros Hollywood, e fumar, trazer na mão um cigarro, para estar na moda, para ser um homem vencedor.

Era comum ver as celebridades fumando durante entrevistas, atores das telenovelas nas novelas da Globo fumando em pleno horário nobre. As campanhas publicitárias de cigarro foram banidas da televisão, mas, mesmo depois de banidas da mídia através de uma lei federal, as marcas de cigarros continuaram a vincular o seu produto camufladamente na produção de espetáculos culturais como o Free Jazz Festival e nas corridas de Fórmula 1, com propagandas nos carros, nos capacetes e nas roupas dos pilotos.

É interessante, para não dizer inacreditável, que a indústria tabageira seja considerada e tratada como uma indústria de um produto qualquer, quando é uma indústria que produz um veneno que adoece e mata milhões de pessoas!

Vemos nos jornais e nas televisões, de vez em quando, uma festa comemorativa quando abrem mais uma fábrica de cigarro em uma certa cidade ou estado, com políticos, com artistas, com pessoas famosas, comemorando. Mas estão comemorando o quê? O aumento da matança?

Nesse ano de 2011, a indústria tabageira está preocupada com a perda da competitividade do tabaco brasileiro no mercado externo, e a mídia comenta isso, aborda esse assunto, como se estivessem falando de arroz, de feijão, de milho, de trigo, enfim, de alimentos, ou de produtos benéficos para as pessoas, coisas que vão enriquecer nossa vida, nos trazer prazer, saúde, crescimento, mas estão preocupados com a competitividade do tabaco, que produz cigarros, que todos os governos alertam que é droga, que proíbem fumar na frente de crianças, fumar em lugares fechados, cada vez menos permitido fumar em qualquer lugar, algo que já deveria ter sido erradicado da face da Terra, mas que continua sendo produzido e vendido, para nossa vergonha e incredulidade!

Um diretor regional financeiro, ou seja, de números, da Alliance One Brasil, afirma: “À medida que a moeda local se valoriza, a empresa se torna menos competitiva e isso reflete negativamente nas exportações”. Que horror, a empresa está sendo prejudicada… Uma empresa que lida com uma droga, um “produto” que apenas prejudica, está sendo prejudicada… Mas já deveria ter sido fechada há muito tempo, como todas as outras que fabricam, que comercializam e que vendem cigarros, se houvesse um mínimo de coerência nos nossos governos, todos eles, de todos os partidos.

Um diretor da Souza Cruz está preocupado: “… e todo um trabalho de qualidade desenvolvido vai por água abaixo face a uma taxa cambial desfavorável…”. Trabalho de qualidade? Mas que qualidade? Melhores cigarros? Embalagens mais atrativas? Publicidades mais enganosas?

E um outro diretor afirma: “A situação é muito difícil. O Brasil conseguiu chegar ao posto de maior exportador mundial porque tinha, além de qualidade e de volume, preço competitivo, mas atualmente…”. Meu Deus, isso deve ser um pecado!

Outra preocupação do setor tabagista brasileiro é que outros países estão – que horror! – aumentando a sua produção de cigarros! Dizem que temos de fazer alguma coisa, pois o continente africano está nos alcançando, o Zimbabwe ampliou em 108,5% a sua produção, passando de 59.000 toneladas para 123.000 toneladas de tabaco, a Tanzânia aumentou em 54,2%… Em breve poderemos ser alcançados e ultrapassados por esses países africanos, que vergonha! E outro diretor está muito preocupado: “… e o Brasil começou a importar fumo”.

A Souza Cruz tem 38.000 agricultores produzindo tabaco, sendo 19.000 no nosso estado, o Rio Grande do Sul.

Pessoas boas, honestas, pais e mães de família, católicos, evangélicos, luteranos, adventistas, espíritas e de outras religiões, que rezam, que acreditam em Jesus, que vão a suas igrejas, aos seus templos, que se ajoelham, que reverenciam a Deus, que saem de manhã de suas casas para plantar e para cuidar de tabaco! Plantam, cuidam, protegem, zelam por uma planta que vai ser usada para adoecer e para matar seus irmãos e irmãs, senão a si mesmo, seus familiares, seus filhos, seus netos. Por que não dizem “Não!”? Por que não plantam alimentos?

O Brasil é o segundo maior produtor de tabaco no mundo, com 778.822 toneladas anualmente, atrás apenas da China, e isso é motivo de orgulho ou de vergonha? Desde 1993, o Brasil é o líder mundial em exportação de tabaco.

Cerca de 85% do tabaco brasileiro tem como destino o mercado mundial, ou seja, somos exportadores da morte. Um jornalista escreve: “E, simpatizemos ou não com esse produto (cigarro), o fechamento de fumageiras acarretaria a extinção de milhares de empregos e um problemão para milhares de famílias de pequenos agricultores que vivem da planta. Para esses, o governo, que apoia formalmente a redução do consumo de tabaco nas convenções internacionais, ainda não oferece uma alternativa de cultivo economicamente mais vantajosa”.

O poder da indústria tabagista (diga-se, o poder do dinheiro) domina grande parte do planeta. É uma indústria enraizada em todos os meios de comunicação, diretamente ou de forma implícita. Através do glamour das suas propagandas, divulga um produto que causa câncer e traz a morte. Em 1997, os sindicatos de atores, de diretores e de produtores de cinema de Hollywood entraram na Justiça contra as indústrias de cigarro, pedindo indenização pelos prejuízos causados a todos os trabalhadores da poderosa indústria cinematográfica norte-americana. A utilização do cinema, como influência para a juventude começar a fumar, pode ser constatada por uma revelação recente de que o ator Sylvester Stallone recebera, em 1983, 500 mil dólares da indústria de cigarro Brown & Williamson, para fumar cigarros da empresa em, pelo menos, cinco de seus filmes. Vejam só, o Rambo, sempre apregoando que vive para combater o mal, aderiu a ele.

Os anúncios de cigarro são “aulas de marketing”. Vejamos: os homens, em sua tradicional vocação para acasalar, precisam de uma companhia feminina para esta tarefa, de preferência, muito linda. O que as imagens das propagandas de cigarro passaram, então, por décadas: “Fumem o nosso cigarrinho e vocês ficam poderosos!”. Como faziam isso? Colocavam uma mulher linda acendendo o cigarro de um homem, de preferência, fazendo beicinho. As campanhas publicitárias sempre têm como base o desejo. As mensagens são com algo que gostaríamos de ter ou de ser e os publicitários tentam fazer com que o produto que eles queiram vender dê a impressão de que, uma vez possuindo-o, o sonho se tornará realidade.

No início do século XX, o objetivo da indústria tabagista era vender cigarros apenas para o homem. Portanto, a imagem da mulher era utilizada por ser o maior objeto do desejo masculino. Naquela época não havia televisão, nem outdoors. Então, além de algumas poucas revistas e jornais, os próprios maços de cigarro eram o grande chamariz. Eis aqui alguns exemplos da criatividade do marketing do início do século passado. Ainda na fase “Cigarro é coisa de homem”, havia os cigarros Columbia, os primeiros maços embalados em papel celofane e os mais caros do mercado da época. O desenho no maço era um navio de guerra com canhões singrando num mar revolto (guerra = vitória, canhões = pênis, mar revolto = aventura). Havia também os cigarros Jockey Club e Turfe Club, explorando a paixão que muitos tinham pelas corridas de cavalo. Já os maços de cigarros Fulgor tinham até cheques de cinquenta mil réis dentro de maços, para alguns “felizardos”. Existiam uns maços artesanais que podiam vir com o nome do fumante estilizado, eram maços personalizados. Esta forma de atrair os incautos, usando estas imagens femininas e outras que atraíam o universo masculino, foi pouco a pouco se modificando.

A partir de determinado momento, especialmente no pós Segunda Guerra Mundial, no início dos anos 50, com os homens já viciados, as mulheres passaram a interessar às indústrias do fumo, não mais apenas como inspiração para as vendas, mas como consumidoras. A partir dessa época, então, começaram a chegar ao Brasil os cigarros importados, sendo o primeiro deles o Camel (com a figura do camelo), vindo logo após o Chesterfield e o Pall Mall. O mercado de cigarros brasileiro foi perdendo a sua identificação com a nossa língua natal, passando a adotar a da nação dominante, os Estados Unidos. Certamente, passaram a achar ridícula a possibilidade de manter-se denominações tão terceiro-mundistas como Favoritos, Elite, Salomé ou Veado. Surgiram: Charm, Carlton, Free, Hollywood, Ritz, Hilton, Plaza, Derby, Minister, Belmont, Chanceller, Galaxy, Parliament, Dallas, Capri, Palace, Lark, Mustang etc. Nos dias atuais, a dominação norte-americana está cada vez mais sofisticada: slims, ultralights, box, flip top etc.

Então, depois que viciaram os homens, para viciar as mulheres, o marketing do cigarro iniciou uma nova fase: “Cigarro é coisa para homem e para mulher”. Aí os anúncios passaram a destacar um tipo de mensagem que atingia o Inconsciente tanto masculino quanto feminino. Os homens continuando se ligando no macho, identificando-se nele, querendo ser como ele, e as mulheres desejando esse tipo de masculinidade, para protegê-las e para gerarem filhos fortes e saudáveis. No imaginário dos homens daquela época, quem fumasse tal marca se tornaria um herói belo e corajoso, e, no caso das mulheres, fumar aquela marca certamente lhe garantiria um companheiro com aquelas características.

A evolução dos tempos, com as correspondentes mudanças nos mais variados campos do conhecimento humano, foram sofisticando a agudeza da publicidade em estar em sintonia perfeita com os desejos, ocultos ou não, da massa das pessoas. Apesar do correr do século, os desejos não se alteraram muito, carros bonitos, mulheres bonitas (já agora acompanhadas de homens igualmente bonitos), ambientes luxuosos etc. Os anos 70 trouxeram uma tendência mais clara no Brasil, a de atingir-se um público mais jovem, com campanhas de grande apelo para a audácia, para a coragem e para as vitórias esportivas.

Nessa época, os carros da Lotus eram de cor preta – a cor do maço dos cigarros John Player Special –, depois, a Lotus mudou seus carros para a cor amarela, já que o patrocinador mudara, passara a ser o cigarro Camel. Para a escuderia Lotus, pouco importava ter uma tradição na cor de seus carros, quem mandava era a indústria de cigarro. Este filão das provas de velocidade continua sendo explorado até os dias atuais. A Fórmula 1 tem nos fabricantes de cigarros o seu principal patrocinador.

No final da década de 90, Max Mosley, presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), declarou à imprensa internacional que, se a pressão da União Europeia continuasse tentando impedir a propaganda de cigarros, e como a indústria do cigarro é a maior patrocinadora da Fórmula 1, ele transferiria as provas européias para a Ásia.

Não importa envenenar pessoas, adoecê-las, fazê-las ter câncer, ter infarto, matá-las, o que importa é o patrocínio das companhias de cigarro. E os pilotos de corrida? Considerados heróis, levam nos seus macacões e nos seus carros as marcas desses venenos. E o povo? Acorda de madrugada para ver as corridas e comemorar as vitórias, fumando e adoecendo e morrendo pelo cigarro. E dando esse exemplo para seus filhos. É uma demonstração de como os fabricantes de drogas e algumas agências de publicidade conseguem enganar tantas pessoas por tanto tempo. Mas, aos poucos, estamos acordando desse pesadelo e enxergando melhor o que se esconde por trás disso tudo.

Uma das finalidades do Projeto “Visibilidade Zero!” é deixar os fumantes tão, mas tão indignados, que parem de fumar. Você que é fumante já está super-indignado e vai parar de fumar? Sim? Parabéns, agora você é “Free” (livre). Ainda não? Continuemos, nós não desistimos de tentar convencê-lo. E os agricultores cristãos, vão continuar? Lembram que Jesus expulsou os mercadores porque vendiam produtos em um local sagrado? Conhecem algum local mais sagrado do que a Terra, do que o nosso corpo? Como se sentirão quando morrerem e forem conversar com Deus e Ele lhes perguntar por que plantavam veneno para matar Seus filhos? Acreditam que Ele se comoverá com a explicação de que era mais rentável? Perguntará se não sabiam o que estavam fazendo… O que dirão? Que não sabiam?

Enquanto muitas pessoas já conseguem enxergar isso e dizem “Não!” para esse crime, pesquisas realizadas na Europa mostram uma incidência significativamente maior de adolescentes fumantes entre adeptos da Fórmula 1 do que entre os que não acompanham as corridas. Por que a indústria de cigarros aplicaria 500 milhões de dólares por ano em publicidade, se este esforço não tivesse um retorno garantido? Esta indústria não está pensando no esporte, ela usa estes palcos apenas para ganhar dinheiro. E os jornais divulgam, as televisões transmitem, afirmam ser contra o cigarro e contra a propaganda de cigarro, mas compactuam com isso.

A inteligência (não a moral) dos publicitários envolvidos nessas atitudes criminosas é grande, e eles sabem que um dos principais desejos da humanidade é o poder, e este é representado pela potência e pela virilidade. A capacidade de gerar filhos, de engravidar a fêmea, seria uma destas potencialidades. O doutor em comunicação pela Universidade de São Paulo, Flávio Calazans, autor do livro Propaganda subliminar multimídia, chama a atenção para o fato de, no maço de Camel, haver a imagem de um dromedário e não de um camelo. Seria absolutamente impossível que os responsáveis pelo desenho do Camel desconhecessem que um camelo tem duas corcovas. Já a imagem utilizada daria a entender uma camela grávida, portanto, sendo uma imagem diretamente direcionada para os nossos inconscientes: “Fume Camel e torne-se potente!”. Quando lançado, o público-alvo do Camel eram os homens de 50 anos. Que interessante.

Como esses publicitários lidarão com a sua Consciência quando, após morrer, perceberem que sua inteligência serviu para adoecer e para matar milhares de pessoas, mais do que várias guerras?

Esse especialista em comunicação questiona também por que as letras L e B, do maço de Marlboro, apesar de minúsculas, são maiores do que o M, maiúsculo? Será que os idealizadores de uma das logomarcas mais famosas do mundo não saberiam escrever? É mais uma artimanha, pois juntas, as letras L e B evocam a imagem de um pênis. O falo (pênis) funciona como um símbolo de poder, tal como uma espada.

No Brasil a marca que mais buscou a identificação com o público jovem foi a Hollywood. Para manter uma liderança e uma penetração entre os jovens, emergiu como a grande benfeitora do Rock, patrocinando por longos anos o maior evento nacional regular de Rock, o Hollywood Rock, além de manter um patrocínio semanal na televisão, que também levava o nome de Hollywood Rock. A marca no início prometia o sucesso, depois, com a profusão de informações a respeito dos males do fumo, passou a não dizer mais nada. Seus anúncios passaram a ter apenas impacto visual, sem nenhuma mensagem verbal, exceto em músicas, porém, como a maioria não entendia as palavras que estavam sendo cantadas, o que valia mesmo era o ambiente criado. À beleza das imagens, produzidas na maioria das vezes no exterior, associavam-se sempre os esportes. Com uma característica básica: vanguardismos. Quando ainda não se conhecia asa-delta por estas paragens, já usavam lindas imagens de vôos de asa-delta, e assim foi com parapentes, jet-skis, grandes corridas de bugres no deserto, windsurf, patins etc.

A poluição visual das cidades brasileiras pela marca Hollywood foi impressionante, principalmente se levarmos em conta que o que estava sendo anunciado era um produto que causa milhares de doenças, mortes e dependência física e psíquica! Inicialmente, eram outdoors simples, mas depois passou-se, com o avanço tecnológico, a usar outdoors iluminados, novamente sem qualquer mensagem escrita, apenas a visual. A marca passou a ser perfeitamente identificada por onde passássemos, a qualquer hora do dia e da noite. Era comum chegar-se em um clube ou em um condomínio e encontrar-se, em todas as barracas que rodeavam as piscinas, a marca Hollywood. Era um marketing agressivo, pesado mesmo, porém os lucros justificam os gastos.

Em 1998, a Souza Cruz (leia-se Hollywood) produzia a campanha de publicidade mais cara já feita no Brasil, com imagens nas geleiras da Antártica, em dunas na Namíbia e no Grand Canyon no estado do Arizona (EUA). Tudo isso fazia parte de uma campanha que ajudaria a vender algo que, em duas décadas, estaria matando 10 milhões de pessoas por ano no mundo!

O marketing que antes propunha o “Sucesso”, para seduzir ainda mais os futuros fumantes passou a dizer “No Limits”, ou seja, enquanto os movimentos antitabagismo alertavam para as doenças e para as mortes precoces provocadas pelo tabaco, a campanha do Hollywood passou a seduzir os jovens com uma falsa ideia de liberdade, de potência e de conquistas sem limites. Na verdade, o tabagismo traz imensos limites: limites à capacidade respiratória, limites à potência sexual, limites ao tempo de vida, limites ao funcionamento do coração e de outros músculos, limites ao paladar e ao olfato, limites à gravidez, limites à inteligência, enfim, limites é que não faltam em relação ao tabagismo. A dependência provocada pela nicotina, para a maioria dos que entram em contato com a droga, é que, infelizmente, costuma não ter limite.

Outras marcas preferem atuar junto a outros públicos, por exemplo, há aquela que apregoa “ter algo em comum conosco…”. São os cigarros Free, que vendem a ilusão de que se trata de um fumo saudável. Como faz um discurso supostamente mais inteligente, criou para veiculação da sua marca o patrocínio de um festival, o Free Jazz, um festival de jazz, entendendo este gênero musical como sendo mais elaborado.

Os cigarros Free sempre têm mensagem de duplo sentido: o importante é termos algo em comum, cada um na sua, cada um com seu estilo etc. Uma empresa produz um produto que faz mal e depois lança outro que faria menos mal, porém continua vendendo o primeiro… Cada um com seu estilo quer dizer que alguém pode preferir fumar um “baixo teor”, enquanto outro pode escolher um “alto teor”. A indústria passa a mensagem de que intolerantes são aqueles que não aceitam a existência dos fumantes… Se um sexto dos terráqueos fuma, para a indústria não há qualquer problema no fato de que existam aqueles que não fumem. Manter esta taxa já seria algo bastante promissor. Mas aumentá-la é a meta, esse é o “sucesso”. Um grande número de artistas se recusa a vir ao Brasil quando sabe que seu show seria patrocinado pela indústria do cigarro. Muitos vêm, entretanto, para um Free Jazz, sem saberem que quem patrocina o evento é uma empresa de cigarros.

Mas não para por aí a presença das fábricas de cigarros na vida cultural brasileira. Por exemplo, um dos raros festivais de dança do país era patrocinado pelos cigarros Carlton: o Carlton Dance Festival. O que a dança tem a ver com cigarro? Dança é alegria, é leveza, é saúde. Cigarro é droga, é doença, é morte. Estes mesmos cigarros patrocinaram num dos horários nobres da televisão, o Carlton Cine, um programa semanal de exibição de filmes. Como os cigarros Carlton são uns dos mais caros do país, não têm os adolescentes como principais alvos, eles visavam um público mais abonado, e, então, as suas campanhas publicitárias eram mais sutis e exibiam mensagens extremamente elaboradas, que buscavam alcançar uma comunicação com esse público-alvo.

Os empresários do fumo, que contribuem para a morte de 5 milhões de pessoas por ano, há muitos anos eram obrigados a mostrar imagens de doenças nos maços de cigarros em vários países, mas aqui no Brasil, em que isso ainda não era exigido, lançavam maços de cigarro sem nenhuma advertência, num deboche completo. Apenas quando isso foi exigido passaram a colocar. Sabiam e sabem que o cigarro é um veneno, e produzem, e vendem, e não estão nem aí. O que importa é o dinheiro.

Para fazer uma comparação: o ataque que atingiu as torres do World Trade Center, em Nova York, matou 2.939 pessoas, enquanto que o fumo naquele país mata o mesmo número de pessoas que morreram nesse atentado a cada dois dias há décadas! E enquanto o presidente norte-americano George W. Bush convocava uma guerra sem tréguas ao “terrorismo”, como resposta ao ataque, assim que foi eleito presidente trouxe como um de seus assessores de maior confiança o principal lobista da indústria do tabaco!

Aliás, o ataque às Torres Gêmeas foi o único ataque que os Estados Unidos sofreu, depois de décadas de ataques seus a inúmeros países, de inúmeras “torres” destruídas, o número de pessoas que morreram nesse ataque “terrorista” é infinitamente menor do que o número de pessoas mortas pelos milhares de ataques norte-americanos a inúmeros países há décadas, mas aí não são ataques terroristas, são para derrubar ditadores e implantar a democracia. E existe uma grande suspeita de que isso tenha sido arquitetado pela própria CIA para justificar a invasão do Iraque. O dia 11 de setembro deveria ser o Dia para acabar com a hipocrisia, mas é o Dia para lamentar um ataque “terrorista”. Bem, esse é outro assunto, voltemos à droga lícita: o cigarro.

Voltando no tempo. A partir da década de 30, a expansão do cinema norte-americano e a sua estratégia para viciar em cigarro inicialmente os homens e depois as mulheres criaram as condições para que a epidemia do fumo se espalhasse pelo mundo, e, se antes as mulheres não fumavam, apenas os homens haviam sido viciados, graças a essa brilhante estratégia, hoje em dia há mais de 250 milhões de mulheres fumantes no mundo! Ou seja, viciaram os homens, viciaram as mulheres, estão cada vez mais viciando os jovens e as crianças, e os governos permitem a sua fabricação, a sua divulgação e a sua venda, usando tímidas advertências de que “Fumar é perigoso…”, “Não fume na presença de crianças…”, “Cigarro é droga…” etc. Se é perigoso, se é droga, se provoca doenças, se mata, por que permitem a sua fabricação e a sua venda?

O resultado disso tudo é que o tabagismo é apontado como a principal causa de morte evitável em todo o mundo, e só no Brasil são cerca de 200 mil óbitos por ano em consequência de doenças relacionadas ao tabaco! Quase mil pessoas por dia!

Poucas pessoas sabem que a fumaça do cigarro tem 4.700 substâncias químicas, sendo que cerca de 60 delas são cancerígenas, logo, é fácil explicar a incidência 20 vezes maior de câncer de pulmão em fumantes do que em não fumantes. E o tabaco também é um dos principais responsáveis por outros tipos de câncer como o de boca, de laringe, de bexiga e de mama. O fumante também tende a desenvolver doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), que é um misto de bronquite crônica com enfisema pulmonar. A pessoa que sofre desse mal tem constante falta de ar, aquela tossezinha crônica, catarro frequente de cor amarelada ou esverdeada e dificuldade para falar. Tudo isso é ocasionado porque o indivíduo não consegue captar oxigênio em quantidade suficiente, já que seus pulmões foram corroídos pela fumaça do cigarro. Em estágio avançado, o paciente pode necessitar ficar conectado a um balão de oxigênio para efetuar as atividades cotidianas.

No sistema cardiovascular, os efeitos do cigarro podem ser ainda mais devastadores. Pesquisas mostram que o fumo acelera o processo de envelhecimento dos vasos arteriais, contribuindo para o seu endurecimento e entupimento. A consequência é a diminuição da passagem de sangue para os tecidos e para as células de todo o organismo. Para piorar o quadro, a nicotina, a substância no cigarro que causa dependência, age como um vasoconstritor, ou seja, fecha os vasos, reduzindo a oferta de oxigênio para as células. Com isso, a pessoa fica mais predisposta a um infarto ou a um derrame cerebral.

Já as mulheres fumantes precisam ficar atentas a mais um fator agravante. O fumo, durante a gestação, aumenta as chances de descolamento da placenta, de aborto espontâneo, de baixo peso do recém-nascido, de prematuridade e de risco de morte do feto durante o parto ou após o nascimento. Além da saúde, o fumo também compromete a beleza. Em virtude da queda no suprimento sanguíneo para a pele, acontecem alterações nos tecidos cutâneos que ocasionam rugas mais profundas e intensas do que as causadas pelo sol. Isso sem falar que a tez fica áspera e seca. Ou seja, a pessoa pode aparentar ter muitos anos a mais do que sua idade real. Os fumantes também produzem menos colágeno e elastina, acentuando a flacidez. O biquinho que a pessoa faz para tragar favorece o aparecimento de rugas em torno dos lábios. Para completar, o cigarro pode causar manchas escuras nos dentes, problemas nas gengivas e mau hálito. A nicotina estimula os receptores de acetilcolina, o que causa uma libertação de adrenalina, com uma sensação de bem estar. Ela tem um efeito estimulante e, em seguida, um efeito tranqüilizante, o que faz com que as pessoas, ao início, “gostem” de fumar, para, depois, irem ficando dependentes dessa ação anti-stress, calmante e inebriante. Ocorre também um aumento de dopamina (neurotransmissor que está aumentado nas doenças mentais) e acredita-se na possibilidade de que outros compostos no cigarro sejam inibidores da Monoamina Oxidase (MAO), que trás uma ação anti-depressiva. Ora, uma ação estimulante, calmante, tranqüilizadora e anti-depressiva, é muito atraente para as pessoas, que passam a fumar e, com isso, viciam-se. É tudo o que as pessoas que fabricam, divulgam e vendem essas drogas querem! E, graças às campanhas de publicidade do cigarro, cada vez mais sutis, mais disfarçadas, sob o beneplácito dos governos, o número de jovens que experimentam o cigarro vem crescendo e, de acordo com um trabalho realizado de 1993 a 1997 pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, da Universidade Federal de São Paulo, o percentual de adolescentes de 13 a 15 anos que já haviam fumado algum cigarro na vida subiu de 24% para 32%. As respostas encontradas nos questionários mostram que o cigarro está associado ao processo de formação da identidade desses jovens. Alguns fumam por curiosidade, outros por acreditar que o tabaco não pode fazer tanto mal assim. Em qualquer um dos casos é um ritual de entrada na adolescência, um ritual, claro, criado e incentivado. Adolescentes fumantes dão as primeiras tragadas com amigos, passam a fumar à noite, durante festas, e em poucos meses estão comprando um maço na padaria ou no bar. Sempre acreditando que fumar é um ato de rebeldia, de independência, de mostrar que manda em si, quando na verdade é um ato de submissão, de colocar-se sob o comando da indústria tabagista e de suas agências de publicidade.

De vez em quando, vê-se mulheres grávidas fumando, e elas sabem que fumar durante a gravidez traz sérios riscos mas fumam: abortos espontâneos, nascimentos prematuros, bebês de baixo peso, mortes fetais, mortes súbitas em recém-nascidos, complicações placentárias, hemorragias, são ocorrências mais frequentes em grávida fumantes. Os fabricantes de cigarro sabem disso. A gestante que fuma apresenta mais complicações durante o parto e tem o dobro de chances de ter um bebê de menor peso e de menor comprimento, comparando-se com a grávida que não fuma. Tais agravos são devidos, principalmente, aos efeitos do monóxido de carbono e da nicotina exercidos sobre o feto, após a absorção pelo organismo materno. Um único cigarro fumado por uma gestante é capaz de acelerar, em poucos minutos, os batimentos cardíacos do feto, devido ao efeito da nicotina sobre o seu aparelho cardiovascular. Assim, é fácil imaginar a extensão dos danos causados ao feto, com o uso regular de cigarros pela gestante. E os nossos governantes sabem disso.

Algumas mães fumam durante a amamentação. Elas não sabem que a nicotina passa pelo leite e é absorvida pela criança? O nenê sofre imediatamente os efeitos do cigarro, havendo registro de intoxicações em filhos de mães fumantes de 20 ou mais cigarros por dia atribuíveis à nicotina: agitação, taquicardia, vômitos e diarréia. Em recém-nascidos filhos de mães fumantes de 40 a 60 cigarros por dia observaram-se acidentes mais graves, como palidez, cianose, taquicardia e crises de parada respiratória, logo após a mamada.

Estudos mostram que crianças filhos de mães que fumaram dez ou mais cigarros por dia durante a gestação apresentam atraso no aprendizado quando comparadas a outras crianças, atraso para a habilidade geral, para a leitura e para a matemática. Isso não é um crime? E os fabricantes sabem, os nossos governantes sabem! Pai e mãe que fumam, vocês sabiam que há uma maior prevalência de problemas respiratórios (bronquite, pneumonia, bronquiolite) em crianças de zero a um ano de idade que vivem com fumantes em relação àquelas cujos familiares não fumam? Quanto maior o número de fumantes no domicílio, maior o percentual de infecções respiratórias, chegando a 50% nas crianças que vivem com mais de dois fumantes em casa. É, portanto, fundamental que os adultos não fumem em locais onde haja crianças, para que não as transformem em fumantes passivos.

Você está grávida e fuma? Coloque-se no lugar do seu nenezinho lá dentro de você. Imagine seus pulmõezinhos, a cara de nojo que ele faz quando você fuma, o exemplo que está dando a ele e que ficará dentro do seu Inconsciente. Um dia ele poderá fumar, usar drogas… Já pensou nisso? E você está amamentando e fuma? Seu nenê está fumando e sendo viciado, como a viciaram. Você quer isso? E você, o pai do nenê, pensa que ele não o está vendo? Sabia que o nenê vê e sente o que estão fazendo, lê os nossos pensamentos, e tudo isso fica dentro do seu Inconsciente, e um dia virá à tona, como imitação, como rebeldia, como cobrança? Imagine seu filho que está dentro do útero ou que já nasceu vendo você fumar – Você é o herói dele! – e todos nós costumamos imitar nossos heróis. Um dia ele dirá: “Coitado do papai…” ou “Quero ser como o papai!”. Qual das duas hipóteses acima você prefere? Nenhuma? Então diga “Não!”.

O que podemos dizer é que os fabricantes de cigarro, o cinema norte-americano, alguns setores da mídia e algumas agências de publicidade aparentemente venceram: existe 1,1 bilhão de fumantes no mundo consumindo cerca de 6 trilhões de cigarros por ano. Mas nós não vamos nos entregar, isso um dia vai acabar!

No Brasil existem 30 milhões de fumantes. Cerca de 3 milhões de pessoas morrem a cada ano em todo o mundo em decorrência de doenças associadas ao fumo!

No Brasil morrem 200 mil pessoas por ano de doenças relacionadas diretamente ao fumo. São dezenas de pessoas por hora! Dos 35 aos 69 anos, um terço das mortes no mundo é relacionado ao fumo, que rouba em média de sete a dez anos de vida dos fumantes. Cerca de 90% dos casos de câncer do pulmão estão associados ao fumo. Cerca de 85% das doenças pulmonares obstrutivas (enfisema e bronquite) são devidos ao cigarro. Cerca de 50% das doenças cardiovasculares devem-se ao uso dessa droga. A probabilidade dos fumantes se tornarem sexualmente impotentes é duas vezes maior do que nos homens que não fumam. E as mensagens são: Que sucesso! Cada um na sua! Eu sou livre! Faço o que quero! Ninguém manda em mim! Ninguém? Mesmo? Apenas os fabricantes de cigarro e seus asseclas, o pessoal de algumas agências de propaganda…

Das 4.720 substâncias contidas no cigarro, cerca de 60 são cancerígenas! O fumante passivo tem um risco 30% maior de morrer por doença cardiovascular ou câncer de pulmão do que quem não está exposto diariamente à fumaça dos cigarros. Nas fumantes a menopausa se antecipa cerca de cinco anos. A quantidade de nicotina de apenas um cigarro é suficiente para matar uma pessoa se for injetada na veia! Os teores de nicotina nos cigarros brasileiros são de duas a três vezes mais do que o necessário para gerar dependência…

Vai parar de fumar? Ainda não? Que teimosia… Continuemos. Os números internacionais informam que o consumo do cigarro está caindo nos países do hemisfério norte, a uma proporção de 1,5% ao ano, e subindo, na mesma proporção no hemisfério sul, para onde então está sendo intensificada a propaganda. Ou seja, se lá as pessoas estão parando de fumar, o negócio é intensificar a propaganda aqui. O total de mortes devido ao uso do tabaco já atingiu a cifra de 5 milhões de mortes anuais, o que corresponde a mais de 10 mil mortes por dia! A Organização Mundial de Saúde estima que em 2020 morrerão 10 milhões de pessoas devido ao uso do cigarro! O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde a 2ª maior causa de mortes no mundo!

Os fabricantes de cigarros dos Estados Unidos reconheceram recentemente os riscos causados pelo fumo à saúde, para escapar de uma ação de US$ 280 bilhões movida contra a indústria do tabaco pelo governo norte-americano. Os produtores são acusados de formação de quadrilha, de terem escondido durante anos as provas sobre os riscos inerentes ao fumo, de terem seduzidos deliberadamente jovens e crianças com anúncios para transformá-los em viciados e de sempre terem mentido, sugerindo que os cigarros light são menos nocivos.

Simbolicamente, fumar é uma cegueira, mas, literalmente, as chances de um fumante ficar cego com a idade são quatro vezes maiores do que as de pessoas que não fumam, de acordo com estudo de pesquisadores da Universidade de Manchester. Em artigo publicado no British Medical Journal, os cientistas afirmam que os cigarros aumentam as chances de desenvolvimento da degeneração macular relacionada à idade. Atualmente, os maços de cigarro já são vendidos com diversas advertências sobre os possíveis efeitos nocivos do fumo e, agora, os pesquisadores da Universidade de Manchester querem que o risco de cegueira seja incluído na lista de doenças relacionadas ao consumo de cigarros.

As propagandas associam fumar com potência, com conquistas heróicas, mas um relatório da Associação Médica Britânica informa que fumar é uma das maiores causas da impotência masculina! E para as mulheres que fumam, o fumo é uma das grandes causas de aborto, é responsável por redução da fertilização e por uma grande porcentagem dos casos de câncer uterino.

Embora a preocupação da Ambev com as nossas crianças e com os nossos adolescentes, uma pesquisa mostrou que 80% dos jovens vêem cigarros quando vão à padaria, 70% dos jovens vêem cigarro quando vão ao supermercado, 37% dos jovens vêem cigarro quando vão à banca de jornal, 58% dos jovens que frequentam bares vêem cigarros sendo vendidos nesses locais, 38% dos que frequentam lojas de conveniência vêem cigarros à venda e 71% dos jovens concorda que essa exposição influencia o consumo, e acreditam que pessoas de sua idade podem sentir vontade de fumar ao ver os cigarros expostos em locais de venda. O que elas não sabiam é que a maioria das pessoas viciadas começou a fumar nessa idade, e uma grande porcentagem delas ficou doente ou morreu por causa disso.

Alguns fumantes queixam-se do cerceamento à sua liberdade para fumar. Ocorre que as pessoas que convivem com fumantes, os fumantes passivos, dependendo da ventilação do local e da concentração de fumaça de cigarros, em algumas horas podem aspirar o equivalente a vários cigarros fumados. As crianças são as mais atingidas, apresentando maior frequência de problemas respiratórios agudos, resfriados constantes, rinite, asma, pneumonia etc. E também foi demonstrado que filhos de pais que fumam têm um risco aumentado de apresentar algum tipo de câncer associado ao uso do cigarro quando ficar adulto.

Crianças passam a conhecer o cigarro desde cedo, porque vêem os adultos fumando, e pelas estatísticas brasileiras é comum experimentar o cigarro desde o 1º grau, o que vai se tornando uso frequente em um número significativo de estudantes do 2º grau. Hoje em dia, meninas fumam mais que meninos e filhos e filhas de pais fumantes fumam mais do que os de pais não fumantes. Fatores que propiciam o hábito de fumar são o mau exemplo por parte de adultos e a publicidade sob a forma de patrocínios de eventos esportivos e culturais.

Existem leis a respeito do cigarro, entre elas: é proibido fumar em locais públicos, nas escolas, nos cinemas, nos teatros, nos museus, nas bibliotecas e em locais fechados destinados a esportes, é obrigatório haver uma advertência sobre os perigos para a saúde nas carteiras de cigarro e nas publicidades, deve haver regulamentos sobre o uso de cigarro em instituições de saúde, em vôos aéreos e em transportes públicos, é proibida a venda para menores de 18 anos, e são proibidas propagandas de cigarro dirigidas a crianças. Só falta fazer o que tem de ser feito: proibir a fabricação!

Os fabricantes de cigarros, visando apenas lucro, dinheiro, casas bonitas, carros importados, têm total conhecimento de que a nicotina gera dependência orgânica e então dirigem a publicidade principalmente para os jovens, pois sabem os resultados das pesquisas, que revelam que, se uma pessoa não começar a fumar durante a adolescência, tem poucas chances de tornar-se um fumante na vida adulta. O negócio é então viciar logo, antes que cresçam, e fumar é apresentado como um passaporte para o mundo adulto, para o sucesso, para o glamour, para a sensualidade e para a liberdade.

É necessário manter o contingente de viciados, os homens já foram, as mulheres já foram, os jovens já foram, agora as crianças… Quando chegará a hora dos da melhor idade? São gastos, anualmente, bilhões de dólares em promoções especificamente dirigidas ao público jovem feminino, como as marcas “somente para mulheres”, que associam imagens de mulheres bonitas fumando, com glamour e com sucesso. Como resultado dessas estratégias, em vários países o tabagismo é atualmente mais comum entre adolescentes do sexo feminino do que masculino.
Vejamos algumas estratégias de marketing para viciar as pessoas em cigarro:

  • Me ame ou me odeie. Mais ou menos é que incomoda. Cada um na sua.” Propaganda dos cigarros Free
  • “Um raro prazer.” Propaganda dos cigarros Carlton
  • “Feliz Natal no Mundo de Marlboro.” Propaganda dos cigarros Marlboro
  • “O importante é ter Charm”. Propaganda dos cigarros Charm
  • “Alguns homens fazem o que outros apenas sonham.” Propaganda dos cigarros Marlboro
  • “Eu coleciono amigos. O resto é descartável.” Propaganda dos cigarros Free
  • “Venha para onde está o sabor.” Propaganda dos cigarros Marlboro
  • “Se aparecer um sinal vermelho, não pare. É o sol se pondo.” Propaganda dos cigarros Marlboro
  • “Eu sou um animal absolutamente emocional.” Propaganda dos cigarros Free
  • “Eu sou a minha própria invenção.” Propaganda dos cigarros Free
  • “A montanha é de pedra. E você? Venha para este time, não é para qualquer um, mas você não é qualquer um.” Propaganda dos cigarros Marlboro
  • “Um lugar onde a fronteira é a linha do horizonte.” Propaganda dos cigarros Marlboro
  • “Não quero passar pela vida sem um arranhão. Quero deixar minha marca.” Propaganda dos cigarros Free
  • “Existe um lugar onde a vida tem mais sabor.” Propaganda dos cigarros Marlboro
  • “A melhor parte da minha vida é o improviso.” Propaganda dos cigarros Free
  • “Ninguém muda nada se não acreditar que pode.” Propaganda dos cigarros Free

Num mundo onde cada vez mais as regras dizem que “é proibido fumar”, o cigarro é mostrado como uma “transgressão às regras caretas”, quem fuma se “afirma”, quem fuma é independente, é livre, é rebelde, é “sexy”.

Como está cada vez mais difícil ter onde divulgar, as empresas de cigarro continuam como e onde dá, por exemplo no patrocínio às equipes de Fórmula 1. Um relatório divulgado recentemente pela Organização Mundial de Saúde mostra que as empresas consideram esse tipo de marketing altamente “eficiente” e com grande “sucesso” para atingir a juventude. De acordo com uma pesquisa realizada pela empresa Philip Morris, um piloto de corridas pode ser visto como um caubói moderno, e acrescenta que “a Fórmula 1 é uma ferramenta de marketing indispensável e tem grande apelo com os consumidores-alvo em todos os mercados”.

A RJ Reynolds explica, em memorando interno de 1989, o que leva as companhias de tabaco a investirem tanto no patrocínio de Fórmula 1:

“Nós estamos no negócio de cigarros. Não estamos no negócio de esportes. Usamos os esportes como uma estratégia para promover nossos produtos e para alcançar um aumento nas vendas.”

Um diretor-executivo da Championship Sports Specialists Ltd., uma companhia de patrocínios de esportes, explica por que o patrocínio de corridas de Fórmula 1 é tão importante para as companhias de tabaco:

“É o esporte ideal para patrocínios. Tem glamour e uma cobertura mundial por televisão. É uma atividade que dura 10 meses ao ano envolvendo 16 corridas em 14 países com pilotos de 16 nacionalidades diferentes. Depois do futebol é o esporte multinacional Número Um. A corrida de Fórmula 1 consegue uma exposição e uma hospitalidade globais, uma completa cobertura pela mídia e 600 milhões de pessoas assistindo-a pela TV a cada duas semanas. Estamos lá para ganhar visibilidade. Estamos lá para vender cigarros.”

A cada dia, no mundo, milhares de jovens começam a fumar. Em média, esse início se dá aos 13-14 anos de idade. Um dos fatores determinantes desse quadro tem sido a promoção do comportamento de fumar como um estilo de vida atraente a fim de garantir a manutenção do contingente de consumidores. O público-alvo dessas estratégias tem sido, nitidamente, crianças e adolescentes, como revela a própria indústria do tabaco em documentos confidenciais liberados ao público durante processo judicial nos Estados Unidos. Neles, a preocupação em dirigir publicidade para o jovem é expressa claramente, como mostra um documento da Phillip Morris, de 1981, que trata o adolescente como “o potencial fumante regular de amanhã”. E fala da “necessidade de que 5.000 crianças e adolescentes comecem a fumar a cada dia para podermos manter o atual tamanho da população de fumantes”.

VAMOS VER ALGUNS DOS COMPONENTES DO CIGARRO

  • Nicotina: é a causadora do vício.
  • Benzopireno: substância que facilita a combustão existente no papel que envolve o fumo.
  • Nitrosaminas.
  • Substâncias radioativas, como o polônio 210 e o carbono 14.
  • Agrotóxicos, entre eles, o DDT.
  • Solventes, como o benzeno.
  • Metais pesados, como o chumbo e o cádmio. Um cigarro contém de 1 a 2mg desses metais pesados, que se concentram no fígado, nos rins e nos pulmões, tendo uma meia-vida de 10 a 30 anos, o que leva à perda de capacidade ventilatória dos pulmões, além de causar dispnéia, enfisema, fibrose pulmonar, hipertensão, câncer nos pulmões, próstata, rins e estômago.
  • Níquel e arsênico: armazenam-se no fígado e nos rins, no coração, nos pulmões, nos ossos e nos dentes, resultando em gangrena dos pés, causando danos ao miocárdio etc.
  • Cianeto hidrogenado.
  • Amônia, que é um material utilizado em produtos limpadores de banheiro.
  • Formol: substância utilizada para manter intactos os corpos dos cadáveres nos Institutos Médico-Legais e nas Faculdades de Medicina.
  • Monóxido de carbono: é o mesmo gás que sai dos escapamentos de automóveis.

E um “produto” desses tem sua fabricação e sua venda permitidas!

Vejam um memorandum de 1975, dirigido a C. A. Tucker, vice-presidente de marketing da A. J. Reynolds: “A marca Camel precisa aumentar a sua penetração na faixa 14-24 anos, que tem valores mais liberais e representa o mercado de cigarros amanhã”.

E da Philips Morris, em 1969: “Para o principiante, fumar um cigarro é um ato simbólico. Eu não sou mais o filhinho da mamãe, eu sou durão, sou aventureiro, não sou quadrado… À medida que o simbolismo psicológico perde a força, o efeito farmacológico assume o comando, para manter o hábito…”.

Então, resumindo, o cigarro provoca:

  1. 200 mil mortes por ano no Brasil (23 pessoas por hora!)
  2. É a causa de 25% das mortes causadas por doença coronariana (angina e infarto do miocárdio)
  3. É a causa de 45% das mortes causadas por doença coronariana na faixa etária abaixo dos 60 anos
  4. É a causa de 45% das mortes por infarto agudo do miocárdio na faixa etária abaixo de 65 anos
  5. É a causa de 85% das mortes causadas por bronquite e por enfisema
  6. É a causa de 90% dos casos de câncer no pulmão (entre os 10% restantes, um terço é de fumantes passivos)
  7. É a causa de 30% das mortes decorrentes de outros tipos de câncer (de boca, de laringe, de faringe, de esôfago, de pâncreas, de rim, de bexiga e de colo de útero)
  8. É a causa de 25% das doenças vasculares (entre elas, o derrame cerebral).

Você vai continuar fumando? Ufa… Os números do tabagismo no mundo: a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, a cada dia, 100 mil crianças tornam-se fumantes em todo o planeta!

Diz a revista Newsweek: “O fumo mata 420.000 norte-americanos por ano, que é mais de 10.000 por dia. Isso equivale a 50 vezes mais mortes do que as causadas pelas drogas ilegais”. O ataque “terrorista” às Torres Gêmeas matou cerca de 2.000 pessoas…

No mundo todo, 3 milhões de pessoas por ano – seis por minuto! – morrem por causa do fumo, segundo o livro Mortality From Smoking in Developed Countries 1950-2000, publicado em conjunto pelo Fundo Imperial de Pesquisas do Câncer, da Grã-Bretanha, pela OMS(Organização mundial de Saúde) e pela Sociedade Norte-Americana do Câncer.

Essa análise das tendências mundiais com relação ao fumo, a mais abrangente até a presente data, engloba 45 países. Richard Peto, do Fundo Imperial de Pesquisas do Câncer, adverte: “Na maioria dos países, o pior ainda está por vir. Se persistirem os atuais padrões de tabagismo, quando os jovens fumantes de hoje chegarem à meia-idade ou à velhice, haverá cerca de 10 milhões de mortes por ano causadas pelo fumo, uma morte a cada três segundos!”.

Certa empresa de cigarro nas Filipinas, país predominantemente católico, distribuiu calendários gratuitos em que logo abaixo da imagem da Virgem Maria aparecia o logotipo de uma marca de cigarro. A Dra. Rosmarie Erban, conselheira de saúde da OMS, na Ásia, afirmou: “Nunca tinha visto nada igual, estavam tentando relacionar esse ícone católico ao fumo, para que as mulheres filipinas não se sentissem culpadas diante da ideia de fumar. Isso é um escândalo!”.

Escândalo? Escândalo não é a divulgação, é permitir a fabricação!

Na China, calcula-se que 61% dos homens adultos fumam, contra apenas 7% das mulheres. Os fabricantes ocidentais de cigarro estão de olho na “liberação” das mulheres orientais, milhões das quais por muito tempo foram privadas dos “prazeres” desfrutados pelas glamorosas ocidentais. Mas há uma pedra enorme no caminho: o fabricante estatal de cigarro supre o mercado com a maior parte do produto. As empresas ocidentais, porém, estão gradualmente conseguindo abrir as portas. Com oportunidades limitadas de publicidade, alguns fabricantes de cigarro procuram preparar o terreno para ganhar futuros clientes à surdina. A China importa filmes de Hong Kong, e em muitos deles os atores são pagos para fumar. Em vista do aumento das hostilidades em seu próprio país, a próspera indústria norte-americana do tabaco está estendendo seus tentáculos para aliciar novas vítimas. O mesmo golpe da década de 30…

O faturamento da indústria tabagista em todo o mundo é de 285 bilhões de dólares por ano!

Há cerca de 1 bilhão de fumantes, número que aumenta cada vez mais, principalmente entre as crianças e os adolescentes.

No Brasil, o faturamento é de 4,5 bilhões de dólares por ano e o número de fumantes é de 35 milhões de brasileiros.
Vai parar de fumar? Já está severamente doente? Ainda não? Quer morrer? Daqui a alguns anos a fabricação será proibida no Brasil, você vai comprar cigarro contrabandeado? Para, filho de Deus! O que mais podemos dizer? Na verdade, sentimos compaixão pelos fabricantes de cigarro, pelos diretores e pelos funcionários dessas empresas, compaixão pelas empresas que os transportam e distribuem, compaixão pelas pessoas das agências de publicidade e pelas pessoas de certos segmentos da mídia que colaboram com esse crime, compaixão pelas pessoas que vendem esse veneno em seu estabelecimento, compaixão pelas pessoas que se deixaram e se deixam enganar por essa malignidade.

Um conselho para os fumantes. Digam a si mesmos: “Me enganaram, me viciaram, me convenceram de que fumar é chique, que fumar traz sucesso, atores e atrizes de cinema e de televisão, jogadores de futebol, corredores de Fórmula 1, me mentiram, venderam a sua alma por dinheiro, me mentiram que fumar é rebeldia, que eu mandava em mim, quando eu era comandado pelas fábricas de cigarro e por seus agentes publicitários, mas não me enganam mais, não acredito mais neles, não vão continuar me viciando. Eu sou livre, eu mando em mim, não quero ser um doente, não quero ser viciado, não quero morrer de câncer, eu vou parar de fumar. E vou ajudar mais pessoas a se libertarem dessa maldade!”

TÁTICA PARA AJUDAR A PARAR DE FUMAR

Existe uma tática que ajuda a parar de fumar. Muitas pessoas não conseguem parar porque o ato de fumar implica uma série de rituais, que a pessoa se acostuma a realizar e sente falta deles, ao tentar parar. São: ir a algum lugar onde se vende cigarro e comprá-lo, colocar no bolso ou na bolsa, ter o cigarro perto de si, pegá-lo quando tiver vontade, acender, colocar na boca, aspirar a fumaça, encher o pulmão com ela, ficar um pouco com o pulmão expandido, expulsar a fumaça, colocar o cigarro em um cinzeiro ou mantê-lo na mão, praticar o ato de botar na boca, inspirar e expirar, várias vezes, apagar o cigarro no cinzeiro ou jogá-lo fora.

Quando uma pessoa decide parar de fumar, algumas vezes acha isso muito difícil, primeiro porque o seu organismo já está viciado (daí a importância dos adesivos e/ou chicletes de nicotina), segundo porque psicologicamente ainda necessita cometer esse ato (daí a importância de um tratamento psicológico), terceiro porque necessita do ritual (então vamos ver como mantê-lo, mas sem fumar).

Faça assim: vá onde sempre compra cigarro, compre, guarde-o onde sempre guarda, tenha perto de si, quando der vontade de fumar, pegue um cigarro, bote na boca, fume, mas não acenda! Faça como sempre fez, inale, encha o pulmão, retenha o ar lá dentro, expire lentamente, continue fumando o cigarro apagado, repita isso várias vezes, como se ele estivesse acesso, depois de um tempo, “apague-o” no cinzeiro ou jogue fora.

Mais tarde, quando der vontade de fumar de novo, porque está carente, agitado, ansioso, triste, atucanado, faça a mesma coisa, mas não acenda! Depois de umas quatro ou cinco vezes fazendo isso, o seu organismo começa a pressioná-lo, quer nicotina! Quer alcatrão! Quer o gosto horrível daquela fumaça que você aprendeu a gostar! Então, acenda, e dê três ou quatro tragadas, e, quando o cigarro estiver pela metade, apague-o no cinzeiro ou jogue-o fora.

Mais adiante no dia, continue fumando cigarros apagados, e, quando não aguentar mais, acenda, fume até a metade e jogue fora.

No decorrer do primeiro dia você terá fumado quatro ou cinco cigarros! E acabou a carteira, o cinzeiro está cheio (ou o pátio, ou o lixo), você vai no local de venda, compra uma carteira e recomeça tudo de novo.

Com isso, mais o adesivo ou os chicletes de nicotina, mais o tratamento psicológico, mais a indignação que queremos provocar em você, mais a sua força de vontade, mais a lembrança de que quando nasceu era um nenê com 3kg, bonitinho, saudável, tudo era rosadinho e cheiroso dentro de você, as mucosas dos seus brônquios, os alvéolos do pulmão, tudo limpinho, aí foi sendo convencido de que fumar era normal, talvez seu pai e sua mãe fumassem, talvez tenha assistido a filmes em que os atores/atrizes fumavam, provavelmente gosta de música e de esporte e veja propaganda de cigarro associada a isso, enfim, até hoje você queria e dizia que não consegue, pois bem, chegou a hora de provar que você é um filho de Deus, um ser espiritual, que não quer mais ser enganado, que quer evoluir espiritualmente, que quer se purificar, e, principalmente, que vai se unir às pessoas e às organizações que lutam contra o cigarro, que querem acabar de vez com a propaganda e com a fabricação dessa malignidade!

Todos nós ansiamos por uma missão na vida. Pois bem, estamos lhe oferecendo uma especial: seja um dos nossos! Nos ajude a salvar os seus irmãos! Seja um soldado no exército de Deus nessa Guerra Santa! Use a sua energia para melhorar o mundo. Você é forte, você consegue, muitos conseguiram!

Conseguimos deixá-lo pacificamente indignado? Vai parar de fumar? Está pensando? Tudo bem, mas lembre-se: não fume na presença de crianças e faça um bom Plano de Saúde. Nos vemos lá na UTI, você na cama, entubado, morrendo, seus filhos e seus familiares chorando com saudade e dó de você. Deus nos abençoe nesta luta.