Bebida Alcoólica e Cigarro – Visibilidade Zero

Bebida

A bebida alcoólica

Afirmam que a maconha é a porta de entrada para as drogas ilícitas, mas não é verdade, as bebidas alcoólicas é que são as drogas que servem como porta de entrada para as demais drogas, elas são a porta inicial para o uso das drogas chamadas ilícitas, juntamente com o cigarro. E essa porta é aberta nas nossas próprias casas, por nós mesmos, os bebedores cotidianos, os bebedores “sociais”, e os fumantes. Depois da bebida alcoólica e do cigarro, aí, geralmente, vem a maconha, depois a cocaína, e por aí vai. Todos nós fomos e somos criados em uma sociedade em que o seu uso é, além de permitido, incentivado e estimulado. Alguém recorda alguma festa em sua casa em que não seja utilizada a bebida alcoólica? A maioria das pessoas acredita que o uso da bebida alcoólica é algo normal e passa essa ideia para os seus filhos e para os seus netos. Agregando isso ao incentivo maciço da mídia para o uso de bebida, nós crescemos sendo viciados e vamos viciando as novas gerações.

No Brasil, a cerveja é a bebida alcoólica mais consumida devido a uma estratégia de marketing extremamente rica e poderosa. Mais de 70% de todo o volume de álcool consumido no país é em forma de cerveja. Ela é a principal bebida que os jovens começam a consumir, imitando seus pais e demais familiares, mostrando o poder da propaganda enganosa sobre as pessoas, quando contínua, persistente e ininterrupta, comprovando o antigo refrão que diz que “É possível enganar muitas pessoas com uma mentira quando ela é afirmada constantemente como se uma verdade fosse”. A mentira vem na forma de associar o uso da cerveja com conquistas. As manobras de divulgação e de venda utilizadas pelo marketing, cuidadosamente planejadas, são baseadas no conhecimento de que, quanto mais precoce é o consumo entre os jovens, maior é a possibilidade de cativá-los e de viciá-los, por isso a publicidade é feita prioritariamente sobre os pré-adolescentes, sobre os adolescentes e sobre os adultos jovens, associando o ato de beber ao sucesso nos esportes, às conquistas afetivas e ao progresso financeiro, quando o que ocorre é o oposto, ou seja, quem bebe vai mal nos esportes, mal na vida afetiva e mal na vida profissional. Como os fabricantes de bebida alcoólica e algumas agências de publicidade conseguem convencer uma grande parcela de jovens e de adultos de que beber faz bem e traz sucesso é difícil de entender.

O álcool é uma droga psicotrópica, pois atua no sistema nervoso central, provocando uma mudança no comportamento de quem o consome, além de ter um grande potencial para desenvolver dependência. O que lhe dá um status de não-droga, que causa até estranheza pessoas atualmente defenderem a sua não-visibilidade, deve-se ao fato de ser a única droga psicotrópica que tem seu consumo admitido e incentivado pela sociedade. Apesar de sua ampla aceitação social, que considera “beber moderadamente” como algo normal, o consumo diário de bebidas alcoólicas é considerado alcoolismo, pois alcoolista não é quem vive bêbado, é quem bebe todos os dias, mesmo que seja apenas uma cervejinha, uma taça de vinho, uma dose de uísque, uma caipirinha etc. O ato de beber todos os dias caracteriza o vício no álcool. Uma grande parcela dos pais foi viciada pelos seus pais e vicia os seus filhos, num ciclo contínuo, estimulado pela nossa sociedade, que chama o que a maioria faz de “normal”, mesmo que seja errado e prejudicial, e confunde o correto com o “habitual”. Como em todos os vícios, o viciado necessita de companhia para não se sentir só, e as pessoas que bebem em casa precisam que seus familiares, seus amigos e parentes, o acompanhem no vício, nem que sejam seus próprios filhos. O mesmo para quem bebe nos bares, nos clubes, em todos os lugares, nenhum viciado quer ficar só e raros viciados dizem que o são, principalmente os viciados numa droga legalizada como a bebida alcoólica.

Por causa do alcoolismo criado e incentivado na rua, mas inicialmente e mantido nas nossas residências, a incidência do alcoolismo é mais ampla entre os mais jovens, especialmente na faixa etária dos 14 aos 29 anos, por isso o marketing concentra aí a sua ação maligna de convencimento e atração. A comprovação de que essa é uma ação maligna é que o álcool é responsável por cerca de 60% dos acidentes de trânsito e aparece em 70% dos laudos cadavéricos das mortes violentas. Ou seja, em 6 de cada 10 acidentes de trânsito, a bebida alcoólica é a responsável, e em 7 de cada 10 mortes violentas, ela está por trás do fato. Se isso não é uma ação maligna, o que é então?

O Brasil detém o primeiro lugar do mundo no consumo de destilados de cachaça e é o quinto maior produtor de cerveja, da qual só a Ambev (Companhia de Bebidas das Américas) produz 35 milhões de garrafas por dia! Ela é resultado da fusão da Brahma com a Antarctica, que, segundo o seu site, “… em 1999, decidiram juntar esforços, o que impulsionou o setor de bebidas brasileiro, possibilitou a entrada no mercado de novas marcas tanto da Ambev como da concorrência, ampliou o leque de produtos de qualidade a preços acessíveis, incentivou o lançamento de inovações…”.

Essa empresa é representante de uma concepção totalmente oposta ao que queremos, e utilizaremos o seu exemplo, o que está no seu site, para evidenciar como pessoas inteligentes, mas com a mente voltada para o mal, conseguem viciar milhões de pessoas, um vício “normal” e legalizado, que passa de geração para geração, ocasionando centenas de malefícios, do ponto de vista físico, emocional, moral e espiritual, e nenhum benefício!

No site oficial da Ambev, encontram-se as suas “conquistas”, as suas “vitórias” e os seus prêmios recebidos, por conseguirem embebedar tantas pessoas pelo Brasil afora, provocando doenças, acidentes, mortes e assassinatos em milhares de brasileiros.

Vejamos o motivo de tanto orgulho da Ambev, em destaque no seu site:

Patrocinamos mais de mil eventos
por ano em todo o país!

Shows, feiras, festivais, circuitos: a Ambev patrocina o entretenimento em todo o país. São mais de 1.000 eventos anuais realizados com o patrocínio ou o apoio das nossas marcas, sempre buscando o contato mais próximo com os diferentes públicos das mais diversas plataformas: Country, Eletrônico, Folia, Junina, Músicas Tradicionais, Premium, Sertanejo, Universitário, Surf, Forró, Samba e Vaquejada, entre outros.

Contribuímos na viabilização de eventos em todas as regiões brasileiras. Do Rio Grande do Sul, onde Stella Artois foi a marca patrocinadora oficial do Festival de Cinema de Gramado, ao Rio Grande do Norte, onde a Skol patrocina o Carnatal. As nossas marcas estão ao lado da cultura e do entretenimento. No Nordeste, a Brahma Fresh patrocina o Circuito de Vaquejadas, que passa por Fortaleza, Natal e outros cinco municípios do Nordeste. Na mesma região, aproximadamente dez milhões de pessoas participam de mais de 300 festas juninas patrocinadas por Skol, como o tradicional São João de Caruaru (PE) e o São João de Campina Grande. A marca está presente ainda nos Carnavais de Recife e Olinda, como patrocinadora oficial das festas há mais de três anos.

Por meio das plataformas Skol Folia e Skol Festança, a Skol leva sua marca aos principais eventos de música baiana do país e aos shows sertanejos, buscando estar ainda mais próxima do consumidor por meio da música. A Brahma investe na plataforma country há mais de 30 anos. A marca apoia a realização de mais de 200 eventos de rodeio pelo país, como os de Barretos, Limeira, Americana e Jaguariúna. Já a Antarctica aposta no samba e no forró, apoiando as principais festas regionais. Bohemia, a primeira cerveja do país, é a marca da harmonização gastronômica. Seus eventos promovem a combinação da família de cervejas premium aos prazeres da boa mesa em lugares como o bairro da Vila Madalena, em São Paulo, a cidade de Tiradentes (MG), entre outros.

O que não encontra-se no site da Ambev é uma lista das doenças e das consequências produzidas pelos seus “produtos”. Lá só encontramos as suas vitórias financeiras, quanto dinheiro ganharam embebedando, adoecendo e matando pessoas, conquistando público, associando coisas opostas, como cerveja e cultura, cerveja e esporte, reforçando o vínculo do conceito de festa com ficar bêbado, de alegria com ficar doidão, mas não encontramos uma lista das doenças e dos transtornos provocadas pelos seus “produtos”. Então, já que não está no site, vamos colocar aqui essa listagem.

ALGUMAS DAS CONSEQUÊNCIAS FÍSICAS DO USO CONTÍNUO E FREQUENTE DAS BEBIDAS ALCOÓLICAS

Câncer – na boca, no esôfago, no estômago, no fígado e em outros órgãos.
Comentário – As pessoas que bebem todos, ou quase todos os dias, nem que seja 1 ou 2 latinhas de cerveja, apresentam uma grande possibilidade de ter câncer em um desses órgãos depois de algumas décadas. O seu pai e a sua mãe vão perder o (a) filho (a), a sua esposa ou marido vai ficar viúva (o), os seus filhos ficarão órfãos, então, você que pertence a esse grupo, quando estiver com câncer, terá mesmo de parar de beber, então por que não usa sua inteligência e para logo? E quem sabe aproveita, pega o laudo médico atestando o seu câncer e processa o fabricante da bebida alcoólica que lhe envenenou e a agência de propaganda por formação de quadrilha? Reunirem-se para criar empresas, elaborar estratégias e ações premeditadas para prejudicar milhões de pessoas, intencionalmente, sabendo do mal que estão fazendo, não é formação de quadrilha?

Coração – arritmia cardíaca, miopatia (inflamação do músculo cardíaco), cardiopatia, hipertensão, doença coronariana e aumento do risco de angina no peito.
Comentário – Depois de alguns anos ou décadas bebendo socialmente, quando está torcendo por seu time, fazendo happy hours, em todas as festas em família, com os amigos, festejando, comemorando, seguindo os convencimentos dos que fabricam bebida para lhe embebedar, o seu coração não vai aguentar mais e vai pifar. Você vai virar um cardíaco! Já imaginou? Não vai poder subir escada, não vai poder correr, jogar um futebolzinho ou um voley, não vai poder ir ao estádio torcer pelo seu time, não poderá ter emoções, terá de se aposentar, vai viver em médico, cardiologista, fazer exames, eletrocardiograma, ecografia, cateterismo cardíaco, você vai virar um cardíaco! É isso que quer para a sua vida? Você ainda acredita nesse pessoal que ganha fortunas lhe embebedando, lhe adoecendo, lhe matando, por que querem ter uma casa chique na praia, um carrão, whisky importado, viverem rindo à toa, criando estratégias e mais estratégias nos seus escritórios com ar condicionado, tudo às suas custas, eles estão lhe matando, eles vão lhe matar, e você ainda fica rindo?

Fígado – cirrose hepática, cálculo biliar, hepatite A e outras doenças.
Comentário – Essas doenças hepáticas são muito frequentes nos bebedores, sociais ou já patológicos. Veja o que vai acontecer consigo: um dia a sua barriga vai começar a estufar (aliás, ela já vinha estufando há alguns anos), vai começar a vomitar sangue, irá se sentindo esquisito, lhe dirão que está pálido, o cinto não fecha mais, se tem SUS irá marcar uma consulta para quando der, se tem convênio, é mais rápido, o médico irá lhe examinar, fazer perguntas, como é a sua alimentação, se bebe, se fuma, como se cuida, se faz exercícios físicos, irá fazer uma cara meio estranha enquanto apalpa o seu abdome, irá pedir alguns exames, dali um tempo você vai levá-los para ver o resultado, ele olhará, se acomodará na cadeira, irá mirar bem nos seus olhos e dirá que precisa falar contigo, que, pelo jeito, é algo sério, precisa fazer mais exames, mas talvez seja grave, já tem um grau de cirrose, hipertensão portal (“O que é isso, meu Deus?”), que o prognóstico talvez não seja bom, mas vamos ver, é que 20 ou 30 anos de bebida (“Mas, doutor, 1 latinha por dia, às vezes 2 ou 3?”), isso geralmente dá problema, que não entende porque as pessoas bebem se sabem que faz mal (“Pior, doutor, que a gente sabe.”), pode evoluir para um câncer, pode chegar na necessidade de um transplante de fígado (“Transplante, eu?”), os seus familiares estão aí na sala de espera? Pode pedir para entrarem? Preciso falar com eles. E aí você começará a pensar se prefere ser enterrado ou cremado (Eu???!!!).

Pâncreas – pancreatite (inflamação do pâncreas), aumento da incidência de diabetes e câncer.
Comentário – uma grande parcela das pessoas bebedoras diárias, depois de alguns anos ou décadas, apresentam doenças no pâncreas, é que o álcool que estava dentro daquelas latinhas coloridas ou dentro daquelas garrafas tão charmosas não costuma respeitar as aparências da embalagem e vai corroendo o pâncreas, vai inflamando, vai provocando alterações de seu funcionamento, o álcool é engraçado, ele não está nem aí para as imagens de sucesso, de vitórias, de conquistas, ele só sabe uma coisa: entrar no seu corpo e ir detonando tudo! Mas, ao mesmo tempo, ele vai até o seu cérebro e lhe engana, você se sente mais leve, mais feliz, mais solto, é a maneira que ele tem para lhe enganar e ir lhe matando aos poucos. Depois de um tempo, deu pra ti! E a música não tem nada de alegre.

Sistema nervoso periférico – neuropatia periférica (inflamação e degeneração dos nervos), atrofia dos membros, principalmente dos inferiores.
Comentário – Continuando com o ritual de detonação que o álcool provoca em seu organismo, ele vai atacando os seus nervos periféricos, principalmente nas pernas, eles vão inflamando, degenerando, as suas pernas vão atrofiando, tu se olha no espelho, estranho, já não tenho mais a energia, não consigo mais bater uma bolinha, jogar meu volley, tudo me cansa, parece que está meio amortecido, como é que vou fazer sucesso
agora? E será que vou alcançar os picos da glória que as propagandas me garantem que se beber, eu alcanço? Mandam eu ir no médico, não deve ser nada, deve ser estresse, ou postural, muito tempo sentado, vida sedentária… Mas está piorando, vou no médico. “Neuropatia? O que é isso? Ação corrosiva do álcool nos meus nervos? O álcool é corrosivo? Como? Se eu não sabia? Sabia, mas a gente acha que essas coisas só dão nos outros… Tenho de parar de beber? Já devia ter parado há muitos anos?”.

Esôfago, estômago e intestino – esofagite, gastrite, úlcera péptica, úlcera duodenal, e câncer, pelos efeitos corrosivos diretos do álcool sobre estes órgãos.
Comentário – Como o álcool é um corrosivo, é como se estivesse bebendo um líquido que vai entrando pela sua boca, passa pelo esôfago, chega no estômago, e vai queimando, corroendo, inflamando, abrindo úlceras, que mais tarde começam a arder, a sangrar, a virar câncer. Aí você telefona para a fábrica de bebida e quer tirar satisfação com o dono, que lhe mentiu todo esse tempo, que lhe envenenou, ele não está, foi passar as férias na Europa com a família… Você liga para a agência de propaganda que lhe enganou anos a fio, não estão disponíveis, estão em reunião, estabelecendo novas idéias, novas concepções, novas estratégias de marketing… E aí você se dá conta: foi um otário! Acreditou no que lhe venderam, que beber era bom, que a vida era uma festa, era para aproveitar, que tudo era colorido, só vitórias, todo aquele pessoal se divertindo, em iates, em ilhas paradisíacas, festas maravilhosas, todo mundo rindo, comemorando, e agora? Gastrite… Úlcera… Câncer… Por que comigo, meu Deus?

E, além disso, beber causa maior incidência de doença de Alzheimer e outras doenças senis, disfunção testicular e impotência, aumento do ácido úrico, degeneração dos ossos, aumento do risco de fraturas e de osteoporose, pneumonia, tuberculose, cálculo renal, epilepsia, síndrome de Wernicke-Korsakoff, degeneração cerebelar, ambliopia, aumento da incidência de artrite reumática, etc.
Comentário – Se daqui uns 50 ou 100 anos tentarem entender por que um “produto” que era tão famoso, um dos mais chamativos e charmosos, associado a esporte, conquistas sexuais, a ser um vencedor social, à integração familiar, à reunião entre amigos, enfim, algo considerado tão maravilhoso, era na verdade um verdadeiro veneno, altamente prejudicial sob todos os pontos de vista, e todos sabiam disso, os fabricantes, os usuários, a mídia, os governantes, e permitiam a visibilidade, o seu uso era liberado, a sua venda era livre, e até mais, incentivada, será muito difícil que nossos irmãos do futuro encontrem uma explicação, a não ser que foi mais uma das loucuras da raça humana, mais uma dessas coisas que, quando termina o seu ciclo, todos se perguntam: “Por que não acabou antes?”

Em termos psiquiátricos, cerca de 90% das internações em hospitais psiquiátricos por dependência de drogas, ocorrem devido ao álcool, ou seja, de cada 10 pessoas internadas por dependência de drogas, 9 são usuários de bebida alcoólica. Quase todas as famílias tem um ou mais membros que são alcoolistas e muitos já estiveram internados por isso.

Você está conosco, é favorável ao Projeto “Bebida Alcoólica e Cigarro: Visibilidade Zero!”?
O álcool provoca aumento da incidência de esquizofrenia, de paranóia e outras doenças psiquiátricas. Grande parte dos casos de suicídio ocorre quando a pessoa está alcoolizada. Grande parte das famílias já passou por isso, você acha o Projeto muito radical ou apenas algo absolutamente necessário e que já devia ter sido instituído há muito tempo atrás?

Do ponto de vista policial, grande número dos casos de homicídio foram cometidos por pessoas embriagadas. Quem já teve um familiar assassinado ou assassinou alguém devido ao uso de bebida alcoólica, o que acha desse Projeto?

Os motoristas alcoolizados, principalmente em finais de semana, feriados e férias, são responsáveis por 65% dos acidentes fatais nas estradas. Muitas famílias já passaram por isso. Você está conosco?

Além disso, outros dados que não constam do Manual da Ambev: o alcoolismo é a 3ª doença que mais mata no mundo! O alcoolismo é causa de cerca de 350 doenças! O uso frequente de bebida alcoólica torna dependentes um de cada dez usuários.

Mas não sejamos injustos. No site da Ambev tem um link com orientações aos pais sobre como falar com seus filhos sobre o consumo de bebida alcoólica. Ou seja, a Ambev patrocina mais de 1.000 eventos culturais no Brasil anualmente, onde estão crianças e jovens, visando incentivar o consumo de bebida alcoólica o mais precocemente possível em nossos filhos para viciá-los, para dirigir a sua mente e a sua vontade, para dominá-los e torná-los futuros alcoolistas, e ao mesmo tempo bancam os sérios, os bonzinhos, os preocupados conosco e nos orientam como falar com os nossos filhos para não beberem ou para beberem moderadamente…

Vejamos o que a Ambev, essa empresa tão preocupada com a nossa saúde e a saúde dos nossos filhos, nos diz:

CARTILHA: COMO CONVERSAR SOBRE BEBIDA ALCOÓLICA COM SEU FILHO DE ACORDO COM A SUA FAIXA ETÁRIA

“Tratar de certos assuntos com os filhos nem sempre é simples. E o consumo do álcool é uma dessas situações. O que falar? Como se comportar?”
Comentário – Não seria melhor não estimular as pessoas a se embebedarem? Suspendam o apoio às festas patrocinadas pela Ambev, vendam apenas refrigerantes e sucos de frutas, água pura. Ah, isso não dá dinheiro? Negócio é negócio, saúde à parte? Hum, estamos entendendo…

“Não existe nenhum curso que ensine como evitar que seu filho beba. Mas há modos de se comunicar com crianças e com adolescentes sobre o tema. O melhor caminho é se preparar.”
Comentário – O melhor caminho não seria parar de fabricar? Ou, enquanto é permitido fabricar, parar de divulgar, estimular o uso, mentir, enganar?

“Para isso, fizemos aqui um resumo do guia Como falar sobre o uso de álcool com seus filhos, obra lançada em 2005 pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) com o apoio da Ambev. O guia está longe de ter a pretensão de resolver o problema.”
Comentário – Beber é um problema? Bem, se já sabem isso, só falta agora parar de fabricar e dedicar-se a produtos saudáveis, naturais, alimentos, sucos, coisas boas para as pessoas.

“O Guia é apenas uma ferramenta de apoio para orientar pais e educadores. Veja logo abaixo nosso resumo do livreto, com orientações por faixa etária dos filhos. As informações estão baseadas na cartilha “Be prepared to talk to your children about alcohol”, da ONG canadense Éduc’alcool. A íntegra do material está disponível para download no Slide Share da Ambev. Veja o vídeo ‘Como falar sobre uso de álcool com seus filhos’, apresentado pelo ator Dan Stulbach e pelo presidente executivo do Cisa, Dr. Arthur Guerra de Andrade. O filme mostra os efeitos nocivos do álcool na adolescência e orienta como os pais devem reagir ao problema.”
Comentário – Se o álcool é reconhecido como nocivo na adolescência, por que a maior parte da propaganda é direcionada para essa faixa etária? Sabem que é nocivo e incentivam o seu uso, isso é falsidade ideológica?

O Guia é dirigido para as diversas faixas etárias. Vamos a elas:

FILHOS DE 8 A 11 ANOS: “Ao contrário do que muitos imaginam, crianças entre 8 e 11 anos são capazes de ter curiosidade de consumir bebidas alcoólicas.”
Comentário – Não é difícil de imaginar isso, se as crianças vêem seus pais, irmãos mais velhos, tios, avós, bebendo em TODAS as festas. Inimaginável seria elas não terem essa curiosidade…

“E existem ocasiões que facilitam o acesso às bebidas, caso das festas familiares, por exemplo.”
Comentário – O correto é: em todas as festas familiares.

“É possível que seu filho peça um gole da bebida, para você ou para outra pessoa.”
Comentário – Os filhos de pais que não bebem, não pedem para beber, é só não ter bebida em casa nem usar nas festas familiares.

“E não há uma única maneira para lidar com essa situação. Há quem deixe os filhos “molhar os lábios” para sentir o gosto da bebida. Outros proíbem e alertam ainda ser muito cedo.”
Comentário – Proibir os filhos de beber, bebendo, não parece ser uma mensagem coerente… E alertar ser ainda muito cedo, também não. E “molhar os lábios” não parece um estímulo para eles beberem?”

“A decisão é dos pais. Mas não se esqueça que a venda de álcool é proibida para menores de 18 anos. E que o consumo desse tipo de bebida, ainda que em doses pequenas, pode trazer prejuízos para o desenvolvimento da criança. Por isso, é importante que os pais tomem uma posição conjunta e se mantenham fiéis a ela. Nunca deixe seus filhos sozinhos por muito tempo sem supervisão adulta.”
Comentário – Não seria mais seguro não existir bebida alcoólica em casa, ou, pelo menos, ninguém beber na frente das crianças, ou melhor ainda, ninguém beber?

“É importante lembrar ainda de ocasiões como festas infantis em que você não estará presente. Certifique-se de que existam atividades de entretenimento, de que haja bebidas não alcoólicas (sucos, refrigerantes) e de que o evento tenha a supervisão de um ou mais adultos. Eles não precisam ficar de olho a cada segundo, mas devem estar presentes.”
Comentário – Quem sabe uma festa – pelo menos uma! – sem bebida alcoólica?

FILHOS DE 12 A 14 ANOS: “Pesquisa realizada em 35 países constatou que a idade média em que os jovens ficaram bêbados pela primeira vez foi de 13,6 anos para meninos e de 13,9 anos para meninas”.
Comentário – Bem, desde bem pequenininhos vendo os adultos bebendo, em todas as festas, até que 13,6 ou 13,9 anos não é tão cedo assim…

“Essa é a idade em que os adolescentes começam a testar a autoridade dos pais. Portanto, a vigilância é fundamental. Lembre-se de que você mesmo, ou amigos seus, testaram os pais quando estavam nessa fase da vida. Não adianta entrar em pânico. Nem se desespere com a possibilidade de seus filhos beberem escondidos. Em vez de se preocupar, mas não fazer nada, converse com eles. Explique todos os riscos associados e os efeitos que a bebida provoca no corpo.”
Comentário – Explicar os riscos e os efeitos maléficos que a bebida provoca no corpo? E se o filho perguntar: “E por que você bebe?”. Não encontra-se no Guia resposta para essa mais do que provável pergunta.

“Caso você resolva permitir o consumo, faça um acordo sobre quantidade, tipo e situações em que o consumo será tolerado. Estabeleça limites. E cobre o cumprimento. Lembre sempre ao seu filho que a lei proíbe a venda de bebidas para menores. E que, se ele tentar comprar, pode ter complicações com a polícia, o que envolverá os pais como responsáveis legais. Lembre-se: o álcool pode ser prejudicial ao seu filho mesmo se ingerido em pequenas quantidades. Cada corpo responde de uma forma diferente aos efeitos da bebida.”
Comentário – O álcool pode ser prejudicial, mesmo se ingerido em pequenas quantidades, então, por que patrocinam ou apoiam 1.000 eventos para incentivar o seu uso? E por que se regozijam com a venda dos seus “produtos”, com os lucros cada vez maiores e com o aumento do número de “consumidores”?

FILHOS DE 15 A 16 ANOS: “Lembra quando você dizia para seus pais a frase ‘você não manda em mim’? É grande a possibilidade de seus filhos adolescentes repetirem o discurso. E hoje você sabe que é seu papel orientar e proteger os jovens.”
Comentário – Também achamos que devemos orientar e proteger os jovens. Mas orientar a não beber, bebendo… E também achamos que devemos proteger, mas proteger de quem mesmo?

“Jovens nessa faixa etária afirmam constantemente sua identidade. E sofrem pressão dos amigos para replicar comportamentos. O que, definitivamente, nem sempre é positivo. Em festas e em encontros, todos querem beber bastante. E muitos passam dos limites.”
Comentário – Em festas e em encontros, todos querem beber bastante. E muitos passam dos limites… Isso nem vamos comentar!

“Lembre seus filhos sobre os limites demarcados. Eles devem respeitar os acordos feitos, mesmo agora, que estão mais crescidos. É essencial que você saiba sempre onde e com quem eles estão. Mostre interesse pelos assuntos deles. Dê apoio sempre que pedirem, quando for algo que você considere importante.”
Comentário – É essencial saber onde eles estão… Podemos permitir sua ida a um dos eventos patrocinados ou apoiados pela Ambev?

“Filhos, claro, sentem quando os pais estão ausentes. E procuram preencher essa lacuna de outros modos. Ser presente não significa ser controlador. Vale mais ouvir, entender os pontos de vista e perceber como eles encaram o mundo. Recorde-se: os pais que estabelecem limites e, ao mesmo tempo, são bons ouvintes, protegem os jovens dos riscos associados ao consumo de álcool, diferentemente daqueles que são apenas autoritários.”
Comentário – Podemos proteger nossos filhos dos riscos do álcool não bebendo, não é melhor?

FILHOS DE 17 A 18 ANOS: “É comum que os jovens entre 17 e 18 anos não se preocupem com o que os pais pensam. Momentos de lazer e a necessidade de afirmação diante do grupo, entre outros fatores, podem ter influência na decisão de beber”.
Comentário – Um posicionamento contra uma pseudo-rebeldia que é, na verdade, uma atitude de subserviência e obediência às agências de propaganda, fica difícil quando grande parte do marketing de bebida alcoólica e de cigarro incentiva a rebeldia deles!

“O importante é esclarecer. Converse com seu filho sobre as consequências de beber no trabalho, na escola, enquanto pratica esportes ou dirige. Lembre a ele que, se for dirigir, jamais deve beber. E de que a legislação brasileira não permite a venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos.”
Comentário – É melhor conversar com nossos filhos sobre não beber nunca! Nem no trabalho, nem depois, nos chamados happy hours tão enfeitiçadores das propagandas de bebida alcoólica, com aqueles jovens lindos, saudáveis, vencedores, tão felizes bebendo, cantando, ensinando como comemorar a vida… E beber enquanto pratica esportes não é comum, mas antes ou depois é habitual, pois os jovens aprendem com seus pais que comemorar é sinônimo de beber, e com todos aqueles outdoors nos campos de futebol, comerciais na televisão de jogadores, treinadores, artistas, vendendo a sua alma por algumas moedas de ouro, fica difícil falar para nossos filhos não beberem sem ser chamado de “careta”…

A seguir, após essa comovente demonstração de preocupação com os nossos filhos e de apoio desinteressado à cultura brasileira, apresentamos o Balanço do 3º trimestre de 2010, da Ambev, disponível em seu site:

AMBEV DIVULGA RESULTADO DO TERCEIRO TRIMESTRE DE 2010

“Durante o terceiro trimestre, nosso EBITDA Normalizado consolidado totalizou R$ 2.655,60 milhões, um crescimento de 12,3%, enquanto o EBITDA acumulado até a data foi de R$ 7.885,00 milhões, representando um crescimento de 10,8% em relação ao mesmo período de 2009. O volume consolidado aumentou 8,1% no terceiro trimestre de 2010 e 8,5% acumulado até a data, principalmente devido ao forte crescimento de volume no Brasil.”
Comentário – Raríssimas pessoas sabem o que é EBITDA Normalizado consolidado, mas todos sabem o que é “milhões”, o que é “crescimento”, o que é “crescimento de volume”, e isso significa que mais pessoas estão bebendo, mais pessoas estão ficando alcoolistas, mais pessoas estão ficando doentes, mais jovens estão sendo induzidos a tornarem-se viciados em álcool, mais internações em hospitais psiquiátricos, mais acidentes de trânsito, mais assassinatos, mais suicídios, mais famílias destruídas… E se isso é motivo de satisfação, uma de duas: ou o mundo está louco ou enlouquecemos nós.

“No Brasil os fundamentos macroeconômicos positivos continuam a dar suporte ao crescimento da indústria. Além disso, o sucesso das nossas inovações e ganhos de market share em comparação com 2009 continuaram alavancando o crescimento do volume de cerveja, que aumentou 12,5% no trimestre. Nosso EBITDA normalizado no Brasil apresentou crescimento de 15,4% no trimestre, com margens reduzindo 130 pontos-base. Conforme divulgamos anteriormente, nosso CPV e SG&A sofreram impacto negativo principalmente dos maiores custos das latas importadas, do açúcar e dos custos logísticos mais altos devido ao aumento do volume nas regiões NE/NO. ‘Nosso desempenho no Brasil confirma que estávamos com a estratégia certa para aproveitar o momento forte da indústria e entregar novamente resultados sólidos para cerveja e refrigenanc neste trimestre’, diz João Castro Neves, Diretor Geral da Ambev.”
Comentário – “O sucesso das nossas inovações…”, “O nosso desempenho no Brasil…”, “Nós estávamos com a estratégia certa…”, “Resultados sólidos…”, etc. Replay da frase final do comentário anterior.

“Nossas operações da HILA-Ex apresentaram um crescimento de volume de 4,1% e EBITDA negativo de R$ 21 milhões no trimestre, impactado principalmente pelo desempenho na Venezuela. João Castro Neves comenta: ‘HILA-Ex continua desafiadora, no entanto demos um passo importante para melhorar nossa performance, que foi a aliança estratégica na Venezuela com a Regional, com a qual estamos muito satisfeitos e que nos deixa ainda mais confiantes de que vamos entregar melhores resultado na região’. A combinação de negócios com a Cervecería Regional na Venezuela foi finalizada em 20 de outubro de 2010 e será refletida no demonstrativo de resultados do quarto trimestre de 2010.”
Comentário – Quase ninguém sabe o que é HILA-Ex, mas certamente ela é desafiadora. E apreende-se nesse site que a indústria da pior droga existente no mundo deu um passo importante para melhorar a sua performance e que está muito satisfeita e confiante nos resultados, e que o 4º trimestre de 2010 será ainda melhor do que o 3º trimestre. Melhor, claro, em dinheiro ganho com o vício, com doenças, com acidentes, com mortes, e isso os deixa muito satisfeitos e ainda mais confiantes em cada vez melhores resultados, diga-se, viciar, aleijar, adoecer, matar, mas tudo legal, dentro da lei.

“Nossas operações na América Latina Sul contribuíram com um EBITDA Normalizado de R$ 349,4 milhões no período, refletindo maiores volumes no negócio de cerveja como resultado do crescimento da indústria na região e de ganhos de market share, parcialmente compensados por volumes fracos da indústria de refrigenanc. ‘Alcançamos um crescimento de 16,8% no EBITDA do trimestre devido ao desempenho sólido do nosso negócio de cerveja, mesmo com o contexto ainda desafiador na Argentina. Fomos muito eficientes em suportarmos nossas marcas mainstream focando em maximizar nossas receitas’, diz Bernardo Paiva, presidente da Quinsa.”
Comentário – Novamente o EBITDA Normalizado… Continuamos não sabendo o que é, mas “R$ 349,4 milhões” sabemos. E também “maiores volumes no negócio de cerveja”, “desempenho sólido do nosso negócio de cerveja”, “muito eficientes…”, “maximizar nossas receitas…”, isso sabemos o que é: uma verdadeira sacanagem conosco e os nossos jovens, e as crianças que estão sendo condicionadas a tornarem-se os viciados em álcool de amanhã.

“No Canadá, entregamos um EBITDA Normalizado de R$ 445,1 milhões no trimestre, registrando um aumento de 7,6% e uma expansão da margem em 610 pontos-base. ‘Estou confiante na nossa habilidade de entregar resultados positivos através de disciplina no gerenciamento dos custos enquanto trabalhamos na estabilização da equação entre market share e rentabilidade no Canadá’, diz Bary Benun, presidente da Labatt.”
Comentário – Brasil, Venezuela, Argentina, Canadá… Deve ser um bom negócio. Imaginamos uma dessas pessoas acordando de manhã, dando um beijo em seus familiares e indo “trabalhar”, no caminho vai pensando, como farei para viciar mais umas 5.000 pessoas hoje? Os adultos já conseguimos, os adolescentes estão no papo, as crianças é só continuarem vendo seus pais e familiares e seus irmãos mais velhos bebendo… que barbada! Quem sabe colocamos mais uns outdoors em campos de futebol? Poderíamos patrocinar mais uns festivais de música sertaneja… Quem sabe mudar a cor da latinha? Contratar algum jogador de futebol famoso, isso sempre funciona… E na novela, botar a galera bebendo na praia, tudo sarado, fica todo mundo com inveja, querendo ser igual…

“A geração de caixa operacional no 3T foi de R$ 2.574,2 milhões, levando o acumulado para R$ 7.542,7 milhões, um aumento de 11,5% em relação ao mesmo período de 2009, enquanto o capex acumulado está próximo dos R$ 1,5 bilhão. ‘Estamos no caminho para concretizar o investimento de R$ 2 bilhões de capex até o final do ano no Brasil’, diz Nelson Jamel, diretor Financeiro e de Relação com Investidores da Ambev. ‘Estamos satisfeitos com os resultados alcançados neste trimestre, não apenas pelo forte desempenho no Brasil, mas também pela evolução observada em outros importantes mercados. Como sempre, todas essas conquistas foram possíveis devido ao comprometimento da nossa gente, que é nosso maior ativo e que tem uma vontade permanente de se superar com uma execução extraordinária. Continuaremos focados em aumentar nossa receita e buscar eficiências que nos ajudem a transformar gastos evitados em investimentos no mercado para financiar nossa estratégia de cost-connect-win’, diz João Castro Neves, diretor-geral da Ambev. Resultado do terceiro trimestre de 2010.”
Comentário – Quase ninguém sabe o que é capex, nem R$ 2 bilhões, mas é muito dinheiro, isso com certeza. Vale até a pena vender sua Alma. Os investidores da Ambev têm mesmo motivo para estarem satisfeitos, vejamos: “O comprometimento da nossa gente…”, “Vontade permanente de se superar…”, “Execução extraordinária…”, “Continuamos focados em aumentar nossa receita…”, “Estratégia de cost-connect-win…”. Win tem a ver com vencer, o negócio é vencer, ganhar dinheiro, ficar rico, comprar carro importado, escritório com ar-condicionado, vinhos e uísques de boa safra, tem que aproveitar a vida, ela é curta. Se o pessoal beber, adoecer, morrer, matar, faz parte do negócio. Business are business.

O que faltou nesse resultado vitorioso do 3º trimestre de 2010 foram as consequências do crescimento das vendas de bebidas alcoólicas, como, por exemplo: Quantas doenças foram provocadas? Quantas cirurgias de emergência? Quantos transplantes de fígado? Qual o número de aulas faltadas pelos alunos na manhã seguinte? Qual o número de faltas ao trabalho? Qual o número de acidentes causados? Qual o número de famílias destruídas? Qual o número de internações psiquiátricas? Qual o número de assassinatos cometidos? Qual o número de suicídios? O que Deus acha de seus filhos que se dizem cristãos e voltaram a ocupar o Templo?

No site, encontramos também momentos “engraçados”, em relação às vitoriosas estratégias de marketing utilizadas para embebedar e para viciar as pessoas com essa droga. Vejamos:

“O ano de 2010 registrou guinadas na publicidade de algumas das principais marcas da Ambev. No final de julho, depois do Mundial de Futebol, a Brahma anunciou a nova cor da sua lata, antes branca, agora vermelha. A mudança é parte da estratégia do novo posicionamento da marca ‘O sabor de sua Brahma agora na cor da Brahma’. Com o conceito, a Brahma, que ao longo dos três anos anteriores havia direcionado a comunicação nos valores de seu consumidor, passou a destacar as principais características do produto: a tradição e a singularidade de seu líquido e sabor. Criada pela agência África, a campanha começou com um teaser, que perguntava ‘Por que a lata da Brahma é branca?’.”
Comentário – Alguém sabe por quê? Por favor, nos informe.

“A Antarctica também estreou seu novo posicionamento em julho. A campanha ‘Boa é Antarctica. A cerveja da Diretoria’, criada pela agência AlmapBBDO, busca traduzir aprendizados de pesquisas, que indicam o perfil de quem consome Antarctica Pilsen: pessoas que valorizam relações pessoais estáveis baseadas em confiança e reciprocidade. São bons de papo e gostam de saborear a bebida com seus amigos de longa data e a família, tanto em bares como nos churrascos, nas feijoadas e nos encontros aos fins de semana.”
Comentário – Releiam a comovente Cartilha de como os pais devem falar com seus filhos sobre bebida alcoólica.

“A marca líder também surpreendeu. A Skol mudou sua comunicação em setembro, com a campanha ‘Um por todos. Todos por uma’, assinada pela F/Nazca, reforçando com bom-humor o posicionamento de sociabilidade e curtição com os amigos, principais características da marca.”
Comentário – Os três mosqueteiros devem estar se revirando no túmulo. Fazer tudo aquilo para virar propaganda da Skol. Ninguém merece.

“Para traduzir de forma irreverente o principal atributo da principal inovação da Ambev em 2010, a Skol 360°, uma cerveja que não estufa, a agência F/Nazca criou o conceito criativo do ‘homem baiacu’, que define de maneira divertida o grupo de pessoas que se sente estufado quando bebe cerveja. O produto foi lançado em São Paulo, depois do bom desempenho do projeto piloto em Brasília e em Goiás, no primeiro semestre deste ano.”
Comentário – Homens-baiacu, reajam!

“A criatividade dos anúncios de Skol foi reconhecida. Em novembro, a agência F/Nazca ganhou o prêmio da categoria Campanha, um dos principais do 32º Profissionais do Ano, pela série de filmes ‘Redondo é Rir da Vida’.”
Comentário – O negócio é rir da vida, a vida é pra curtir, não levar nada a sério, pra que estudar? Trabalhar duro é pra otário, tem é que ganhar grana, beber, fumar um, cheirar umas carreirinhas. E com essa apologia do não trabalho, do não levar a vida a sério, do não amadurecer, ainda ganha prêmio? Por favor, chama Jesus.

Para não dizerem que estamos pegando pesado demais com essa empresa, que representa em sua filosofia todas as empresas que fabricam e vendem produtos prejudiciais para a humanidade, sob um aspecto inocente de incentivadoras de aumento de empregos e de impostos arrecadados, vamos colocar aqui esse comovedor atestado de cuidado que a Ambev tem com as nossas crianças, respeitando o Estatuto da Criança e do Adolescente. Temos algumas dúvidas se isso é fruto de sua própria vontade ou se é obrigatório, em todo o caso, lá vai:

PUBLICIDADE RESPONSÁVEL PARA CRIANÇAS

“A Ambev se compromete a não inserir anúncios publicitários de seus produtos em programas de televisão, de rádio, mídia impressa ou sites de internet, que tenham 50% ou mais da audiência constituída de crianças. Em conjunto com outras 23 empresas, líderes da área de alimentos e bebidas, elaboramos e adotamos um Compromisso Público de Publicidade Responsável. O documento, em vigor desde 1º de janeiro de 2010, estabelece os seguintes compromissos:

“1) Não fazer, para crianças abaixo de 12 anos, publicidade de alimentos ou bebidas, com exceção de produto cujo perfil nutricional atenda a critérios específicos baseados em evidências científicas.
“1.1) Os critérios mencionados serão adotados específica e individualmente pelas empresas signatárias.
“1.2) Para efeito desse compromisso, as limitações são para inserções publicitárias em televisão, rádio, mídia impressa ou internet que tenham 50% ou mais de audiência constituída por crianças de menos de 12 anos.
“2) Nas escolas, não realizar, para crianças com menos de 12 anos, qualquer tipo de promoção com caráter comercial relacionada a alimentos ou bebidas que não atendam aos critérios descritos anteriormente, exceto quando acordado ou solicitado pela administração da escola para propósitos educacionais ou esportivos.
“3) Promover, no contexto de seu material publicitário, quando aplicável, práticas e hábitos saudáveis, tais como a adoção de alimentação balanceada e/ou a realização de atividades físicas.”

O compromisso, certamente imposto pela Justiça, é de não inserção de publicidade de bebida alcoólica em programas, mídia, sites, constituídos de uma audiência de 50% ou mais de crianças até 12 anos incompletos. Lembremos que a idade média em que as crianças começam a beber é de 13-14 anos, imitando os adultos viciados. Venho aqui propor a ampliação desse limite para 21 anos, e mais adiante proibir completamente anúncios da droga em qualquer meio de comunicação.

Mas vejamos agora o Reconhecimento da Ambev pelos serviços prestados:

VEÍCULOS DA IMPRENSA COMO EXAME, VOCÊ, VALOR E ÉPOCA RECONHECEM A ATUAÇÃO DA AMBEV

“Nossa atuação é reconhecida externamente. Ao longo dos mais de dez anos de sua existência, diversas instituições vêm concedendo distinções à Ambev por iniciativas socioambientais e por seu desempenho econômico. Um dos prêmios mais expressivos, entre tantos já recebidos, veio no primeiro semestre deste ano de 2010, quando a Ambev foi eleita a melhor empresa da década pelo prêmio ‘Destaque Agência Estado’. O ranking elege as empresas que tiveram o melhor desempenho do ponto de vista dos acionistas dos últimos dez anos, e é elaborado pela Agência Estado, do mesmo grupo que detém o jornal O Estado de S. Paulo, em parceria com a Consultoria Economática.”
Comentário – A melhor empresa da década! Por qual critério? Ajudar a acabar com a miséria do povo? Acabar com a fome? Aparelhar os hospitais para atender dignamente o povo brasileiro? Tornar o ensino brasileiro um exemplo para o mundo? Não, do ponto de vista dos acionistas. Hum…

“Na área de gestão de pessoas, figuramos todos os anos na lista das melhores empresas do Brasil para se trabalhar de acordo com dois rankings: o das revistas Você S/A e Exame e o feito pela revista Época em parceria com o Great Place to Work. Na edição 2010 do Prêmio Você/Exame, a Ambev foi eleita a melhor empresa na categoria ‘Gestão de Talentos’.”
Comentário – A melhor empresa em gestão de talentos. Talentos para o quê? Visitar velhinhos solitários, fazer companhia e tricô com velhinhas abandonadas em asilos? Distrair crianças órfãs em orfanatos? Levar comida para os mendigos nas ruas? Não, talento para vender bebida alcoólica. Hum, de novo…

“Recentemente, recebemos o Prêmio Transparência, que destaca as corporações cujos balanços contábeis se destacaram pela clareza e qualidade das informações. Ficamos em 1º lugar em ranking do Valor Carreira, anuário que elege as melhores em gestão de pessoas.”
Comentário – Prêmio Transparência. Isso é verdade, é tudo transparente, só não vê quem não quer!

Chega de Ambev. Aliás… bem, deixa pra lá.

Sejamos transparentes também. Todos sabemos que a propaganda de cerveja no Brasil é extremamente agressiva, endereçada sutilmente às crianças e aos adolescentes, visando viciá-las o mais cedo possível. Se com isso forem mal no colégio, se ficarem doentes, se sofrerem acidentes, se destruírem as suas famílias, isso não importa, o que importa é ganhar dinheiro, festejar o aumento do consumo, abrir novas fábricas sempre com a presença da imprensa comemorando aquele evento e de muitos políticos discursando e aparecendo nos jornais e nas televisões sorridentes, por esse grande avanço do “progresso social”. Afinal, são mais empregos, mais impostos, mas a que custo? Doença, acidentes, mortes. Mas isso não importa, o que importa é ganhar dinheiro.

Todos sabemos que os adolescentes que bebem com alguma ou com muita frequência, geralmente, têm pai, mãe e familiares que também ingerem álcool com alguma ou com bastante frequência. Todos sabemos que o consumo inicia vendo-os bebendo nas festas, porque fomos criados em uma sociedade que não consegue imaginar uma festa sem bebida, em casa à noite “para aguentar o tranco”, nos fins de semana “para relaxar”, para “comemorar” uma conquista profissional ou financeira, para “festejar a vitória do seu time” ou para “esquecer a derrota”, para “brindar” nos aniversários, no Natal, no Ano-Novo, enfim, qualquer festa ou acontecimento é sempre associado ao ato de beber.

E quando um jovem torna-se viciado em bebida alcoólica, pelo mau exemplo dos adultos e por ação da propaganda nas rádios, nas televisões, nos jornais, simplesmente está reproduzindo, com a veemência dessa faixa etária, o mesmo comportamento de sua família e de quase todas as famílias, o que aprendeu desde criança vendo em sua casa e nas festas, o que lhe ensinaram e continuam lhe ensinando, o que lhe dizem seus ídolos do esporte, sempre sorrindo, sempre vencedores, com um copo ou uma latinha na mão, o que enxerga nos outdoors nos campos de futebol, nos carros de corrida. Enfim, nós viciamos os nossos filhos ou permitimos que os fabricantes de bebida alcoólica e algumas agências de publicidade o façam, com o beneplácito dos nossos governos, e depois os levamos aos psicoterapeutas para curar seu vício, criado, incentivado e permitido por nós mesmos, pela nossa irresponsabilidade e pela nossa omissão.

A mensagem que incutimos neles, desde crianças, e que alguns meios de comunicação se encarregam com extrema competência de confirmar, baseados no interesse de vender e ganhar dinheiro, é de que temos de relaxar com algo, temos de nos ativar com algo, temos de comemorar as vitórias com algo e esquecer com algo as derrotas, preparando o campo propício para, simplesmente, o jovem, curioso, um dia mudar o objeto do consumo e passar, então, para as chamadas drogas: a cannabis, a cocaína, o crack e outras coisas. Mas quem viciou ou permitiu que viciassem os nossos jovens? Nós mesmos. Nós viciamos os nossos filhos nas drogas lícitas e depois infernizamos a nossa vida e muitas vezes acabamos com a vida deles, quando, simplesmente, agregam um “i” e passam a consumir as drogas ilícitas. A única diferença é um “i”.

Uma criança que cresce vendo seus pais e seus familiares bebendo, comemorando vitórias, derrotas, aniversários e festas em geral, começa a apreender como é essa vida de adulto, o que os adultos fazem, como eles fazem, e acreditam, então, que isso é o certo. E, aliadas a esse exemplo que damos a eles, as estratégias de vendas da indústria de bebida, principalmente da cerveja, estimulam o seu consumo precoce entre crianças e adolescentes, para viciá-los. Seguindo o nosso próprio exemplo, a publicidade passa uma imagem de festa, de alegria e de diversão associada à cerveja e, esmerando-se ainda mais, atua na área da sexualidade e do sucesso afetivo e profissional. A aparência é de incentivo à cultura, de apoio às festas populares, de alegria, mas a finalidade é uma só: embebedar a todos e aumentar o número de usuários da droga. Ou seja, os governos permitem e nós concordamos, e muitas vezes participamos, de uma tática perversa de nos drogar e aos nossos filhos, sob os mais simpáticos e coloridos disfarces.

Os fabricantes de bebida alcoólica, indiferentes ao mal que provocam, sem nenhum amor ou consideração por nós, e pelos nossos filhos, visando apenas o lucro, incentivam eventos em que a promoção da bebida alcoólica é fortíssima, e transformam manifestações culturais em estratégia de venda. O importante não é o evento, não é a cultura, o importante é vender bebida e ganhar muito dinheiro. Se algum jovem, saindo dali, embriagado, bater o carro e ficar tetraplégico ou morrer, isso não importa, o que importa para o fabricante e para o pessoal do marketing é quantas caixas venderam, quanto dinheiro ganharam, isso é festejado por eles, em seus escritórios, entre risadas e comemorações, enquanto os jornais, as rádios e as televisões noticiam os acidentes, as mortes, os assassinatos, provocados pelo uso da bebida alcoólica, mas para aliviar a sua consciência também associam-se às campanhas antiálcool, às campanhas contra acidentes de trânsito, numa demonstração de como é possível adorar a dois Senhores.

Nenhuma campanha antidroga funcionará enquanto os pais não pararem de ensinar os seus filhos a beber, parando eles mesmos de usar essa droga, enquanto algumas agências de publicidade, parceiras dos fabricantes dessa droga, não pararem de colaborar com a venda delas e os meios de comunicação não se recusarem a veicular os seus anúncios malignamente enganadores. É uma grande hipocrisia afirmar que a maconha é a porta de entrada para as drogas: é a bebida alcoólica e o cigarro. Elas são as drogas que abrem a porta para as chamadas drogas, a maconha, a cocaína e outras. Qualquer pai ou mãe que beba, diariamente ou frequentemente, qualquer quantidade de bebida alcoólica e fume cigarro é dependente químico e não possui uma autorização interna para condenar o seu filho se ele também beber, fumar cigarro ou usar qualquer outra droga.

Algumas agências de publicidade, buscando anunciantes sem nenhum critério a não ser o de ganhar muito dinheiro, para ficarem famosas e disputarem o prêmio de Melhor Agência do Ano, divulgam qualquer coisa, ajudam a vender qualquer coisa, cigarro, bebida, produtos supérfluos, “alimentos” artificiais, vale tudo. As propagandas de bebida alcoólica mostram modelos ou cantoras seminuas, ganhando dinheiro e vendendo a sua alma, segurando garrafas geladas, com a espuma da cerveja transbordando dos copos e das canecas, numa celebração de festa, de sexualidade e de alegria. Alguns jogadores e treinadores de futebol transmitem a mesma mensagem, de que o importante é festa, sexualidade, alegria, e eles são vencedores, ganham salários milionários, qual jovem não gostaria de estar em seu lugar, ser famoso, ganhar muito dinheiro, ter todos os homens ou todas as mulheres aos seus pés, e eles conseguiram tudo isso porque bebem cerveja, são vencedores porque bebem, estão sempre
sorrindo, eles são felizes, são realizados! Vários cantores e cantoras participam desse crime, fazendo propaganda de cerveja, sempre sorrindo, adoecendo e matando os jovens, arrasando as vidas de pais e de famílias, em troca de algumas moedas de ouro.

A mensagem que nossos jovens recebem desde criança em casa, nas festas familiares e na televisão, que nós permitimos que eles assistam livremente, é de que, onde houver festas e pessoas, é obrigatória a presença de bebidas alcoólicas. É inviável uma festa, uma comemoração, sem álcool. Nós embebedamos nossos filhos com nosso exemplo e conivência e depois choramos quando eles se tornam dependentes químicos.

As indústrias do álcool e da propaganda desempenham um papel extremamente cruel, daninho e irresponsável, eminentemente mercantilista, ao associar as bebidas alcoólicas a momentos gloriosos, à sexualidade e a ser brasileiro. O estímulo ao consumo de cerveja veiculado, maciçamente, através das propagandas na mídia em geral e através da promoção de eventos esportivos e culturais (shows de artistas populares, por exemplo), nos últimos anos, em nosso país, guarda relação direta com o aumento do consumo de cerveja, principalmente, pelos jovens.

Os fabricantes de cerveja no Brasil gastam cerca de R$ 1 bilhão de reais por ano em anúncios na mídia, e as inteligentes e criativas propagandas geralmente remetem ao público mais jovem, porque o maior consumidor de cerveja está na faixa etária dos 14 aos 29 anos. Não gastariam essa soma em publicidade se o retorno financeiro não fosse muito maior do que ele. Viciar os jovens? Não importa. Ficarem paraplégicos ou morrerem em acidente de carro? Não importa. Ferirem-se ou matarem-se nas bebedeiras? Não importa. Tornarem-se alcoolistas, necessitarem de tratamento psicológico ou médico ou internações? Não importa. Destruírem-se famílias, enveredarem pelo caminho das outras drogas, acabarem com a sua vida e a de outras pessoas? Não importa. Jovens talentosos para as artes, para os esportes e para outras habilidades não conseguirem realizar seus sonhos porque acreditavam que bebendo é que conseguiriam e, tarde demais, percebem que bebendo é que não conseguiram? Não importa. O que importa para os fabricantes de bebida alcoólica e para o seu pessoal do marketing é apenas dinheiro, a qualquer preço, de qualquer maneira, nem que seus próprios filhos viciem-se em álcool ou em outras drogas, nada é mais importante do que sua conta bancária, seu vinho ou seu uísque de boa safra, seus finais de semana em paraísos idílicos, suas casas luxuosas, seus carros importados. Isso é o importante, afinal de contas, bebe quem quer e quanto quer, e lá embaixo, bem pequeno, meio disfarçado, sempre está “Beba com moderação”, que o governo, parceiro na hipocrisia, manda colocar.

Uma afirmação falsa é de que o vinho é benéfico à saúde, mas não é o vinho, que contém álcool, e sim a casca da uva, que contém flavonóides. Então, em vez de vinho, basta tomar suco de uva ou comer uva.

As pessoas que utilizam bebidas alcoólicas, ao contrário do prometido sucesso pessoal, das vitórias nos esportes, nas relações afetivas e sexuais e na vida profissional, começam a desenvolver silenciosamente várias doenças, e começa a mudar a perspectiva, pois após alguns anos de festa e de diversão, de comemorações e de alegria, o sucesso e as conquistas mais frequentes são as doenças e as internações. As “festas”, a “alegria”, o “sucesso” e as “vitórias” passam a ser comemoradas nas clínicas especializadas em desintoxicação e nos hospitais psiquiátricos pelos ingênuos e infelizes usuários, enquanto os fabricantes, os publicitários envolvidos e pessoas dos meios de comunicação estão em casa comemorando o aumento espetacular das vendas, a não ser que estejam eles mesmos internados ou algum filho ou parente seu.

Mais um pouquinho de Ambev, para quem estava com saudade. No site da Ambev estão os Prêmios obtidos por ela em 2010:

  1. Melhor empresa da década pelo prêmio “Destaque Agência Estado Empresas”
  2. Valor Carreira 2010 – As Melhores na Gestão de Pessoa
  3. Você S/A – Exame – “150 Melhores Empresas para Você Trabalhar”
  4. Época – Great Place To Work
  5. Carta Capital – “As Empresas mais Admiradas no Brasil”
  6. Revista Globo Rural – “Melhores do Agronegócio 2010”
  7. Troféu Transparência, 4º Prêmio Intangíveis Brasil
  8. Prêmio Lide de Marketing Empresarial
  9. 9º Prêmio “Empresa dos Sonhos dos Jovens”
  10. Top of Mind Folha, Melhores da Dinheiro
  11. 7º Prêmio Fiec de Desempenho Ambiental
  12. Prêmio Topvale 2010, 27º Prêmio AGAS 2010
  13. Prêmio Empreendedor José Paschoal Baggio
  14. Além de vários prêmios internacionais.

Mas não queremos ser injustos, a Ambev também realiza um trabalho de caridade, veja abaixo:

REFORMAS DE BARES E RESTAURANTES

“Valorizar os pontos de venda dos nossos parceiros. Esse é o objetivo do ‘Antes e Depois – Renovar é fácil. É só querer’, o programa de reformas de bares e restaurantes da Ambev. Os resultados são surpreendentes. Em pouco tempo, os estabelecimentos são remodelados e passam por uma verdadeira operação plástica. Levemente inspirado num reality show da TV norte-americana, o programa promove intervenções nas instalações. As reformas atingem a fachada e o interior dos pontos de venda, que recebem pintura, luminosos, placas de parede e de banheiro, mosaico, cortina, pirulitos e adesivo de balcão, além de mesas e cadeiras com as marcas da Ambev: Brahma, Skol e Antarctica, entre outras. A nova roupagem dos bares atrai a atenção dos consumidores, incrementa o negócio e também melhora a autoestima dos funcionários, que agora podem trabalhar em um local completamente renovado.”

Isso é certamente uma “obra de caridade”, mas se atrair a atenção dos consumidores, incrementar o negócio, melhorar a autoestima dos funcionários, e as pessoas beberem mais, ficarem pela rua, buscarem outras drogas, chegarem em casa bêbados (se chegarem), agredirem os pais, ou a mulher e os filhos, no dia seguinte não conseguirem acordar, perderem aula, perderem o emprego, isso sim que vai ser um reality show de verdade!

Os fabricantes de cerveja são pessoas muito alegres e adoram oportunizar alegria para nós. Eles querem ver todo mundo feliz, adoram uma festa. Claro que se durante ou após a festa acontecerem acidentes ou incidentes, ou as milhares de crianças e de adolescentes presentes, assistindo e participando daquela festança toda, vendo seus irmãos mais velhos, seus pais e outros familiares bebendo e fumando, assistindo aos shows de artistas consagrados referendando aquilo tudo, as rádios irradiando tudo com muita alegria, as televisões presentes e transmitindo aquele belo acontecimento cultural, muitos políticos sorrindo, e, claro, também bebendo, resolverem que também irão beber e fumar, isso não é responsabilidade de quem fabricou, distribuiu, divulgou e incentivou a festa. Afinal de contas, tem a recomendação governamental bem pequenininha de “Beba com moderação”, todo mundo sabe os prejuízos do excesso de bebida alcoólica, exagera quem quer, e tem as Cartilhas no site da Ambev de como os pais devem conversar com seus filhos sobre bebida alcoólica.

Vejam agora como o pessoal que fabrica e distribui bebidas fica alegre e contente com as festas, diga-se, com os resultados das vendas e com o aumento do alcoolismo:

FESTAS DA CERVEJA. AS CELEBRAÇÕES DAS TRADIÇÕES ALEMÃS NO BRASIL

“Os números de cada edição da Oktoberfest realizada em Munique são espetaculares! Quase 10 milhões de pessoas e um consumo de 7 milhões de litros de cerveja! Mas não é preciso sair do Brasil para aproveitar uma festa tipicamente alemã. Inspirados no evento da Baviera, diversos municípios da Região Sul promovem festivais repletos de atrações folclóricas. E, claro, com muito chope e cerveja. A mais conhecida é a Oktoberfest de Blumenau, cidade catarinense colonizada há 160 anos por -imigrantes germânicos. A primeira edição aconteceu em 1984. Hoje, a Oktober do Vale do Itajaí tem o status de segunda maior festa alemã do mundo, recebendo cerca de 700.000 visitantes atraídos pela cultura, culinária e muito chope.

Já a Oktoberfest de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, mobiliza cerca de 350 mil visitantes em dez dias.

Os dois eventos têm apoio do Chopp Brahma, que desenvolve uma série de ações para homenagear a cultura local. Entre elas, uma bela decoração temática e espaços exclusivos. Ações de incentivo ao consumo responsável também estão presentes.”

Esses números são realmente espetaculares! Pena que não discriminam por faixa etária. Quantas crianças de 8 a 11 anos? E de 12 a 14 anos? De 15 e 16 anos? De 17 e 18 anos? Distribuem a Cartilha lá? Mas não sejamos excessivamente exigentes: o Chopp Brahma desenvolve uma série de ações para homenagear a cultura local e ações de incentivo ao consumo responsável, mas se essas pessoas beberem demais, certamente não ficarão tristes com isso. Nós preferíamos que nessas festas não houvesse bebida alcoólica à venda, mas somos sonhadores.

E a Devassa? Um dos seus outdoors diz: “Quando será sua primeira vez?”, buscando atingir o público pré-adolescente. E o nome Devassa foi colocado de uma maneira que lê-se Eva…

E a afirmação final nas propagandas de bebida nas rádios em que o locutor consegue falar “Se for dirigir, não beba.” em 3 segundos? Fica assim: “sfrdinabe…” Aliás, mudando de assunto (ou o mesmo?), quando um locutor fala “Esse medicamento é contra-indicado em caso de dengue.” em também 3 segundos, ficando assim: “esmedéconinecade…”

Bem, você que bebe, todos os dias ou quase, em todas as festas, aniversários, churrascos, comemorações, seus pais bebiam, seus filhos vão beber, seus netos vão beber, prepare-se:

1) Faça um bom Plano de Saúde e de Previdência Privada para quando seu corpo começar a mostrar as consequências disso ou se morrer antes em um acidente automobilístico ou por uma doença grave.

2) Prepare-se para a hipótese de seu filho exagerar na dose, enveredar por outras drogas, dizer que você também bebe, que não tem moral para mandá-lo parar, e talvez a Cartilha da Ambev então não consiga ajudá-lo.

Ou, então, faça como milhares de pessoas no mundo que descobriram que foram induzidos a esse vício: não beba! É perfeitamente possível viver sem bebida alcoólica. Pare com a cerveja, pare com o vinho, pare com o uísque, pare com a cachaça, tome água, tome suco de frutas, respeite o seu Templo, feche sua boca, feche seus olhos, feche seus ouvidos, não se deixe enganar mais, dê o exemplo para seus filhos, para seus amigos e para seus parentes, certamente vários deles são alcoolistas e necessitam de um exemplo para parar e para salvar-se. Seja um verdadeiro espiritualista, cuide de si, cuide das outras pessoas, viva bastante tempo, não fique doente, não morra antes do tempo, não corra o risco de seu filho chorar por você ou você chorar por ele…

Onde está a sua capacidade de discernimento, a sua opinião própria, a sua liberdade de dizer “Sim!” ou “Não!”, você é um cordeiro, uma marionete, um Maria-vai-com-as-outras ou uma pessoa de personalidade, de atitude, você é um perdedor ou um vencedor? Está cego, não está vendo o que estão fazendo conosco, rindo de nós, ganhando dinheiro com a nossa desgraça? Seja um indignado pacífico. Chega de ser manipulado, chega de ser enganado.

Ou, então, continue, achando que tudo isso é bobagem, que estamos exagerando, esses naturalistas, querendo que todo mundo pare de beber, pare de fumar, continue viciado, viciando seus filhos, permitindo que os viciem, que ganhem dinheiro com a sua desgraça. Como aquele beija-flor na floresta incendiando, estamos aqui, fazendo a nossa parte. Você pode fazer a sua. E iremos somando. Enquanto isso, um brinde ao Amor, com água ou com suco de frutas.